Ângelo Priori e Almir Carvalho de Oliveira
Com a implantação do ‘‘termo provisório de autonomia’’ entre as Instituições Públicas de Ensino Superior (IES) e o governo do Estado, no último dia 19 de março, a comunidade universitária paranaense vem aprofundando o processo de discussão acerca dos rumos das universidades e faculdades públicas paranaenses.
Por um lado, temos as diversas direções das IES, que para se adequar ao termo provisório, têm tomado algumas medidas administrativas visando reduzir gastos e cortar possíveis ‘‘gorduras’’ para não comprometer o pagamento da folha salarial e as atividades acadêmicas.
Por outro, temos as entidades representativas dos docentes e dos funcionários das IES, articulados unitariamente no Comitê em Defesa do Ensino Superior Público do Paraná, atuando vigilante e preventivamente na defesa dos direitos sociais conquistados e no aprimoramento de um projeto definitivo de autonomia que não venha comprometer o futuro das nossas instituições de ensino superior, garantindo principalmente o seu caráter público e gratuito.
O Comitê, que congrega todos os sindicatos, associações docentes e diretórios estudantis do Paraná, com a efetiva participação do Sinteemar e da Aduem, vem realizando discussões nas diversas faculdades e universidades do Estado, esclarecendo os docentes, funcionários e alunos sobre o projeto de autonomia e recolhendo contribuições para a dinamização e o aprimoramento de um projeto definitivo, tendo como base as diretrizes apresentadas pelo Comitê aos reitores e ao governador Jaime Lerner, no documento ‘‘Por uma Universidade Autônoma, Pública e Gratuita’’.
Este documento espelha o que a comunidade acadêmica das universidades do Paraná espera de um projeto de autonomia: ensino público e gratuito, investimento em pesquisa, aproximação efetiva das universidades com a sociedade em geral e definição clara e consequente de uma política de ciência, tecnologia e ensino superior para o Estado do Paraná.
Entre essas reuniões, devemos destacar duas de extrema importância. Uma realizada em Cascavel, no dia 5 de maio, com a participação de aproximadamente 300 pessoas, quando foi organizada a agenda de atuação do Comitê e sua própria ampliação, com diversas entidades das faculdades isoladas se integrando. Outra, realizada em Francisco Beltrão, dentro das atividades do Fórum Paranaense em Defesa da Escola Pública, quando 2.000 pessoas, entre alunos, funcionários e professores do 1º, 2º e 3º graus, puderam discutir e conhecer o projeto de autonomia que está sendo implantado no Paraná.
Além dessas reuniões, os membros do Comitê participaram do congresso da UPE (União Paranaense dos Estudantes), realizado em Londrina no final de semana passada, estabelecendo assim uma importante aproximação dos funcionários e dos professores com os estudantes. Além dessas, já temos outras reuniões agendadas em Francisco Beltrão (mais uma vez, para discutir especificamente o caso da Facibel e o seu processo de incorporação à Unioeste), em Campo Mourão, em Paranavaí, em Ponta Grossa e em Maringá.
Faz-se necessário frisar que tem sido importante a iniciativa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), de realizar seminários sobre experiências, brasileiras e estrangeiras, de implantação de autonomia universitária. É uma pena que esses seminários estão sendo realizados em Curitiba, portanto, fora do circuito das universidades estaduais. O ideal é que eles fossem realizados nas mais diversas IES, à exemplo do que o Comitê vem fazendo.
A Aduem e o Sinteemar ressaltam a importância dos professores, funcionários e alunos das universidades paranaenses se integrarem nesse processo de discussão. Na UEM, estaremos realizando, no próximo dia 7, uma assembléia unificada para aprofundar a discussão sobre autonomia. O futuro das universidades está em nossas mãos.
- ÂNGELO PRIORI é presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (Aduem)
- ALMIR CARVALHO DE OLIVEIRA é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sinteemar)

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