Tomar antibiótico ao primeiro sinal de dor de garganta. Testar vários analgésicos para a dor de cabeça. Compartilhar o remédio do amigo. Comprar o mesmo medicamento que foi ótimo para a vizinha tentando acabar com o mal-estar que não passa nunca. Todos são exemplos de automedicação, hábito que ainda é muito comum no País.
Para tentar diminuir essa prática, o Ministério da Saúde está promovendo a segunda edição do Prêmio Nacional de Incentivo à Promoção do Uso Racional de Medicamentos, que destina R$ 55 mil em prêmios para trabalhos sobre o uso adequado de remédios. Pesquisadores, estudantes, profissionais de saúde e de outras áreas têm até 15 de setembro para concorrer com trabalhos que incentivem o uso racional de medicamentos.
Marco Aurélio Pereira, coordenador de gestão do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, explica que ações simples podem reduzir a utilização indiscriminada. ''O uso racional são todas as iniciativas que visem garantir acesso ao medicamento, na dosagem correta, pelo tempo necessário, para a evitar a automedicação'', afirma.
Como surgiu a ideia do Prêmio Nacional de Incentivo e Promoção do Uso Racional de Medicamentos?
O prêmio surgiu de uma iniciativa do Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos. O incentivo se dá inclusive por premiação em valor financeiro e premia diversas categorias dentro dessa lógica do uso racional de medicamentos.
Que ideias surgiram no ano passado que já puderam ser colocadas em prática?
Na verdade, algumas ideias já vinham sendo adotadas. O prêmio tem por virtude popularizar essas ações. A partir do momento que sai na imprensa, conseguimos passar essa informação para outros locais para que possam realizar atividades semelhantes. No ano passado tivemos desde estudos de utilização de medicamentos de determinados grupos, como insulina prescrita para pacientes com diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS), como trabalhos que promoviam palestras. Teve trabalho que se pautou em avaliar o conhecimento de médicos acerca de interações medicamentosas.
Percebemos que as pessoas captaram a ideia de que o uso racional são todas as iniciativas que visem garantir um acesso correto ao medicamento, na dosagem correta, pelo tempo necessário, para a evitar a automedicação.
Além do prêmio, quais outras ações são desenvolvidas pelo Ministério da Saúde para promover o uso racional de medicamentos?
Temos como um dos eixos estratégicos o estímulo ao uso racional de medicamento com a atualização permanente da relação nacional de medicamentos essenciais. Conseguimos nos últimos anos manter a lista atualizada a cada dois anos e essa lista é fundamental, principalmente no que diz respeito a balizar a criação de outras listas, como as municipais. Temos atividades relacionadas à garantia efetiva do acesso a medicamentos fazendo aumento do repasse da assistência farmacêutica básica e implantação dos fitoterápicos, entre outras.
Como a distribuição de medicamentos essenciais pode ajudar no uso racional?
A partir do momento que o paciente não encontra seu medicamento no posto de saúde ou tenha dificuldade de ter acesso a um médico, ele busca diretamente no estabelecimento comercial e passa a fazer uso de automedicação. Se consigo ampliar o financiamento para compra, posso contribuir para que a pessoa tenha no posto de saúde a garantia de acesso ao seu medicamento, acompanhado de todo o processo de orientação para melhor uso. Assim, contribuo diretamente para que a pessoa não se automedique.
O uso racional de medicamento não é só dar à população o conhecimento que ela deve ter para não se automedicar porque ela passa a ter medo do medicamento. Isso é parte do processo. Parte do problema da automedicação se dá porque as pessoas não conseguem ter acesso ao serviço. Conforme eu amplio e potencializo esse acesso, eu tenho garantido algo a mais para que a população não busque sozinha essa solução.
Poderíamos afirmar então que a sociedade, principalmente as camadas mais humildes, também se automedica por falta de acesso ao sistema de saúde?
Não. O problema da automedicação indepedende de camada social, até porque só vai haver automedicação quando a pessoa tem dinheiro para adquirir medicamento e a camada mais pobre talvez não tenha dinheiro para adquirir. Ela consegue ou busca por todos os meios de ter acesso ao medicamento de forma gratuita no Sistema Público de Saúde. A segunda questão é de que hoje nós não temos dúvida de que conseguimos ampliar o acesso da população ao medicamento. Talvez ainda não tenha atingido a totalidade como gostaríamos, mas hoje tenho mais pessoas tendo mais acesso a medicamento que antes.
Serviço: Inscrições para o 2º Prêmio Nacional de Incentivo à Promoção do Uso Racional de Medicamentos pode ser feita pelo www.saude.gov.br/premio

mockup