Adriana Alexandre da Silva, 16 anos, quer ingressar na Universidade Estadual de Londrina. Estudar, receber o diploma no Moringão, ser Relações Públicas, avançar um degrau rumo a outra classe social. Antes de entrar no Formare, o objetivo mais parecia um sonho juvenil de uma menina da periferia.
Mais de mil horas de curso depois, Adriana percebeu que o caminho para a mobilidade social se encurtou. Auto-estima recuperada, a adolescente diz que encara cada minuto dentro da Milenia como se fosse decisivo em seu futuro. ''Encaro com a responsabilidade de um trabalho'', compara.
Ela dá lições de economia. Está guardando integralmente sua bolsa ''para pagar as despesas da faculdade'' e continua aproveitando seu pouco tempo livre à noite faz o último ano do ensino fundamental no Colégio Estadual Carlos de Almeida vendendo comésticos para a vizinhança, atividade que lhe rende cerca de R$ 50,00 por mês.
A mãe é auxiliar de cozinha e o único irmão trabalha em uma confecção. Salários somados: R$ 500,00. ''Quero crescer e estou conseguindo. Melhorei minhas notas, convivo com uma turma muito legal e adquiri muito conhecimento com os professores'', diz, justificando seu otimismo com o futuro.

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