Auto-ajuda: solução ou fantasia?
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Rita de Cássia Simões Martelini 
Um dos graves problemas humanos, comum no final do século passado, parece ter adentrado neste, com a mesma intensidade e ocorrência: a depressão. Estima-se que milhões de pessoas, em todo o mundo, sejam atormentadas por este mal invisível, causador de sérios distúrbios à convivência.
Entre a principais causas da atitude depressiva, tem-se a desilusão afetiva ou profissional-econômica, a distância de algo ou de alguém ou então uma série de equívocos psicológicos, que são criados pela mente da vítima, em momentos críticos.
Entre as consequências, além dos danos à saúde, a busca por medidas alternativas, como a auto-ajuda, sobressai-se. Quando há desilusões afetivas ou profissionais, por exemplo, a depressão é favorecida pelo desânimo de contornar a situação e modificá-la, gerando assim problemas de saúde e, consequentemente, a dependência de medicamentos.
No entanto, quando as desilusões não estão fundadas nas relações afetivas ou profissionais-econômicas, são estas que acabam prejudicadas: o ser infeliz não será um bom profissional e tampouco um bom companheiro ou companheira.
Quanto à depressão causada por distanciamento de algo ou alguém, comum aos sentimentalistas, acredita-se que ela interfere no relacionamento dessa pessoa dada a atual situação: novas pessoas, novos lugares e, quase sempre, diferente estilo de vida, agravados pela dificuldade de interação ao ambiente.
Isso geralmente ocorre, com mais frequência, quando os motivos que levam alguém a se distanciar for profissional, para trabalhar ou estudar, por exemplo.
Ainda existem os conflitos psicológicos, ligados à personalidade de cada um e aos interesses pessoais, ou seja, criados pelo próprio ser, que se baseia em insatisfações com quase tudo que circunda sua existência; ele se policia a todo momento ou então estabelece prazos e metas a serem cumpridos, sem que ninguém, a não ser ele mesmo, esteja exigindo. E quando não atinge tais objetivos, surge invariavelmente a depressão.
O grande resultado desse ''mal do século'' chamado depressão acaba beneficiando, de uma certa forma, uma determinada classe que há tempo vem se especializando no assunto: os escritores. A procura pela ''auto-ajuda'' é comum entre aqueles perseguidos pela depressão, funciona com uma ''saída milagrosa'' para uns ou uma ilusão, para outros.
É nesse contexto que se encaixam os escritores: os livros que tratam do assunto são encarados como ótimos aliados à ''auto-estima'', considerada perdida, na maioria dos casos.
Como citou o economista S. Kanitz, em artigo publicado na revista ''Veja'' de 12 de novembro de 1994: ''Os brasileiros foram cobaias de experimentos econômicos por quase dez anos, o que baixa a auto-estima de qualquer um. O Lair Ribeiro é resultado disso. Se as pessoas não estivessem de astral tão baixo, ele não venderia tantos livros. A auto-estima começa a melhorar quando você tem controle sobre sua vida econômica.''
O comentário refere-se ao grande êxito alcançado pelo Dr. Lair Ribeiro, médico, especialista em cardiologia e autor de vários livros e artigos publicados em revistas médicas americanas, que, em 1993, teve quatro de seus livros ocupando, respectivamente, os quatro primeiros lugares no ranking dos mais vendidos no País.
O tema, em geral, relaciona-se com a recuperação da auto-estima, como o famoso ''Emagreça comendo'', uma tentação aos que vêem na obesidade a causa principal da depressão. A auto-estima é isso: melhorar aquilo que é necessário ao viver, sem renunciar àquilo que não podemos evitar, porque nos faz sentir bem.
- RITA DE CÁSSIA SIMÕES MARTELINI é estudante universitária em Londrina


