Austeridade com o salário alheio
A vitória da presidente Dilma Rousseff na votação do novo salário mínimo mostrou a base governista bem afinada no discurso da austeridade com o dinheiro público. A aprovação de um valor maior, como queriam os oposicionistas para R$ 560, representaria elevação dos gastos com folha de pagamento e previdência.
Trezentos e sessenta e um deputados federais atenderam prontamente o apelo do Executivo para pagar apenas a reposição da inflação, elevando de R$ 540 para R$ 545, quantia que deverá entrar em vigor assim que a discussão passar pelo Senado (alguém duvida que o projeto não será aprovado?)
Essa discussão é sempre complexa. O valor é pouco para quem recebe e muito para quem paga, principalmente se os patrões forem os pequenos municípios. Porém, será que é justo que os trabalhadores tenham o seu salário atrelado ao conceito de gasto público?
Todo mundo concorda que é preciso frear os gastos públicos. Mas nada adiantará tirar do bolso do assalariado e manter aposentadorias especiais para ex-governadores, por exemplo.
Há muitas perguntas. Por que o trabalhador fica com a conta dos elevados gastos dos períodos eleitorais, como do ano passado? Por que os congressistas brasileiros não levam a mesma austeridade para o uso dos cartões públicos corporativos? Calcula-se que nos últimos quatro anos os gastos com esses cartões passaram de R$ 78 milhões para R$ 267 milhões.
É contraditório pensar no que se pode fazer com R$ 5 a mais no holerite quando no recadastro dos funcionários da Assembleia Legislativa do Paraná, fantasmas se apresentaram para justificar a remuneração de R$ 5 mil sem ao menos pisar nos corredores da Casa.
De austeridade o trabalhador brasileiro entende, caso contrário, de que outra maneira poderia arcar com os gastos de alimentação, vestuário, água e luz. Em matéria de economia, ele tem muito a ensinar.





