Ausência do Estado na Amazônia
Embora não se saiba até que ponto deve-se dar validade ao que está anunciado, é preocupante a veiculação da venda de terras na Amazônia em site da internet. A notícia sobre esse anúncio foi publicada ontem nos jornais, reportando-se à denúncia do Greenpeace feita em seminário da Escola Superior de Guerra. O informe diz que grandes áreas estão sendo ofertadas e muitas delas localizam-se em zonas de exploração irregular de madeira. A promessa é de ''excelente documentação'', com ''posse mansa e pacífica'' e onde ''não há furacão, terremoto, enchente, vulcão ou terrorismo''. Pelo formato, a oferta destina-se a estrangeiros, porque diz aos interessados que eles podem, ''de acordo com as leis brasileiras, criar uma área particular de reserva natural''. E mais, oferece a opção de viagem ao Brasil para conhecer a Amazônia, especificamente a região do rio Tapajós, no Estado do Pará. O portal mostra fotos da floresta e as variedades de madeira existentes. Explica que a denominada ''posse mansa e pacífica'' é a apropriação da propriedade mesmo sem documentação, ''porém o possuidor a terá como sua, exercendo todos os poderes inerentes''. Isto significa, conforme o anúncio, que é ''propriedade que ninguém reivindica'' e que será assegurada, depois, pelo requerimento do usucapião, ''com posse segura e sem problema''.
Como o próprio Greenpeace afirma, a ausência do Estado é o grande problema da Amazônia, porque assiste-se a veiculações como essa e, certamente, atraindo compradores, com a possibilidade de que se apropriem dessas áreas e dela extraiam o que quiserem, porque não há fiscalização. A Amazônia transforma-se, assim, em terra de ninguém, até que alguém dela lance mão. Não à toa as escolas primárias americanas difundem aos alunos o mapa do Brasil sem o território amazônico. Um aleijão que causa impacto a cidadãos brasileiros que já viram esse sinistro mapa. As vozes defensoras da soberania nacional se levantam mas o governo nada faz, e então o que se teme pode ocorrer: a tomada da Amazônia brasileira por organismos internacionais tendo à frente os Estados Unidos, naturalmente.
Se a denúncia foi feita perante um braço político do Exército, que é a Escola Superior de Guerra, espera-se que mereça uma investigação, porque é às Forças Armadas que incumbe o policiamento da Amazônia, não só na faixa da fronteira internacional mas em todo o seu núcleo. São mais de 300 mil homens em armas, afora a frota anfíbia e aérea, portanto um arsenal mais que suficiente para rastrear a gigante reserva florestal e exercer controle sobre ela. Estivesse a Amazônia em território norte-americano e, com toda a certeza, não se assistiria a tanta licenciosidade, tanta invasão, tanta predação e tanta cobiça internacional. Não se entende como o presidente da República, que é o comandante supremo do Exército Nacional, não o aciona na defesa global da Amazônia, e por que a própria inteligência das Forças Armadas parece desprezar o que ocorre com esse patrimônio tão rico da nação.





