Aumento salarial no STF e os gastos do Governo
O desejo de melhoria salarial contagia agora também a juíza-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, que quer aumentos para os magistrados e para os integrantes do Conselho Nacional de Justiça. Ela chegou a agendar reunião com os líderes dos partidos na Câmara Federal para pedir agilidade na votação de projetos de interesse do Judiciário, mas o pleiteado reajuste de ganhos foi retirado da pauta, em função da repercussão negativa junto à opinião pública. A presidente do STF, que assumiu a função não faz muito tempo, também defende jetons para os integrantes do Conselho, sob a alegação de sobrecarga de atividades. Caso fosse atendido o pleito da juíza, essa classe teria o salário mensal elevado dos atuais R$ 23.275 para R$ 28.861, e o da própria titular do Supremo subiria de R$ 24.500 para R$ 30.380, mais os benefícios de alimentação e auxílio-moradia. Coincidentemente, dados divulgados ontem mostram que a ministra Ellen Gracie ganha 79% mais que o titular correspondente da Suprema Corte dos Estados Unidos, a nação mais rica do mundo. Partindo de um Poder que julga - inclusive os abusos de membros de outros poderes - esses fatos não são nada exemplares e semeiam ainda mais o desencanto dos cidadãos com as instituições. Pior que isso, intensificam a indignação popular e a sensação de impotência diante dessa gente poderosa. E no momento em que mais essa enxurrada de informações chega ao conhecimento público e aumenta o clima de revolta, noticia-se que o Governo Federal já gastou, neste ano, R$ 1 bilhão em despesas com viagens aéreas e hospedagem de assessores e funcionários, sem contar a revoada dos ministros em aviões da FAB e do presidente da República em seu ''aerolula''. Estarrecedor é também o informe de que esse esbanjamento é mais que o triplo do que se gastou, no mesmo período, com o programa de proteção ao vôo, justamente num momento em que os controladores do tráfego aéreo encontram-se em regime de operação-tartaruga, reivindicando melhoria salarial e dos equipamentos. Para a casta de graduados dos poderes, gordos vencimentos; e para a segurança de passageiros dos aviões, o sucateamento da infra-estrutura de segurança, gerando riscos de acidentes, como o abalroamento no ar da aeronave da Gol, que resultou em queda e na morte de 154 pessoas. É uma verdadeira orgia com o dinheiro público, num país onde o salário mínimo é de apenas R$ 350, ou 75 vezes inferior ao de alguns desses altos níveis da esfera oficial. E o presidente Lula continua afirmando que não há onde cortar gastos, embora a realidade demonstre claramente os excessos, como os elevados ganhos dos maiorais dos três poderes e exorbitâncias como esta - apenas uma entre tantas - a da farra com passagens aéreas e hospedagens desses gastadores oficiais sem freios.





