Dados do 7º Anuário de Segurança Pública apontam que o Brasil ainda comete grande violência contra as mulheres. Apesar dos avanços legais, o número de estupros cresceu 18,17% no ano passado na comparação com 2011. No País, foram registrados cerca de 50,6 mil casos, o que corresponde a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. Há dois anos, a taxa registrada foi de 22,1.
Para se ter uma ideia da gravidade do problema, o total de estupros superou o de homicídios dolosos (com intenção de matar). Naquele mesmo ano foram 47,1 mil mortes; o número subiu de 22,5 mortes por grupo de 100 mil habitantes (2011) para 24,3 (2012), alta de 7,8%. Os Estados com os maiores índices foram Roraima, Rondônia e Santa Catarina. No Paraná, foram registrados 3.523 casos, uma taxa de 33,3 por 100 mil habitantes – portanto, acima da média nacional. O levantamento foi feito a partir do cruzamento e da consolidação das informações da Secretaria do Tesouro Nacional, do Ministério da Fazenda e da Secretaria da Fazenda das 27 unidades da federação.
No entanto, a pior notícia é que esses números podem ser ainda maiores. Se por um lado o acesso à informação contribuiu para uma maior notificação dos casos, questões culturais – como vergonha, medo dos agressores, traumas gerados pela violência e dificuldades para formalizar as denúncias – ainda são fatos bastante comuns. E, nesse sentido, há muito a avançar. A não comunicação de crimes como esse, só colabora para que os agressores continuem a praticar esses atos.
Outro ponto que precisa ser melhorado é o acolhimento às vítimas. É preciso humanizar o atendimento, fazer com que as mulheres ou a família se sintam seguras para formalizar a denúncia, além de oferecer apoio psicológico. Também é preciso capacitar melhor os profissionais envolvidos, tanto da rede de saúde como da polícia. Esse primeiro contato da vítima fará toda a diferença e pode encorajá-la a prosseguir com as denúncias.

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