Aumento do desemprego
Os reflexos da crise econômica estão atingindo em cheio o mercado de trabalho. Levantamento da Pnad Contínua, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, aponta claramente que o fechamento de vagas tem ocorrido em uma velocidade maior do que a abertura de novos postos. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego chegou a 8,3%; no mesmo período do ano passado, o índice havia sido de 6,8% e, no primeiro trimestre deste ano, a taxa foi de 7,9%.
Os dados apontam que mais pessoas procuram por uma oportunidade, principalmente jovens que estavam fora do mercado. Há alguns anos, quando a renda das famílias aumentou e o governo expandiu programas de financiamentos subsiados para o ensino superior, muitos jovens optaram apenas por estudar. Agora, com a crise batendo à porta dos brasileiros, esse público teve que ingressar no mercado. Tanto que no período a força de trabalho aumentou 1,8%, formada por pessoas empregadas ou desempregadas que estavam efetivamente procurando emprego.
Outro ponto negativo é a renda do trabalhador, que também apresentou queda: ficou em R$ 1.882, queda de 0,5% com relação ao primeiro trimestre. É um índice pequeno, mas pode indicar uma tendência. A crise se anuncia desde o ano passado, mas como os números permaneceram estáveis, indicam que as empresas optaram por esperar a consolidação do quadro até mesmo porque o custo de contratação, treinamento e demissão é alto. Agora, o cenário está formado.
No entanto, esse quadro precisa ser revertido. Ajuste fiscal e redução da máquina pública são indicativos positivos de que o governo está disposto também a dar sua contribuição para sair da crise econômica. A conta não pode e não deve ficar apenas para o trabalhador e, por isso, medidas que estimulem o mercado de trabalho são de suma importância.





