A inflação em alta contribuiu para o aumento do custo de vida para todas as classes sociais do País. Além da escalada dos preços de produtos de bens de consumo verificada frequentemente no varejo, o custo de bens e serviços também está em constante crescimento. Para tentar minimizar os impactos da inflação, pesquisa divulgada pela Fecomércio aponta que os brasileiros têm cortado gastos e buscado a renegociação das dívidas.
Traduzindo para a rotina diária das famílias, isso significa que houve um recuo na aquisição de bens e serviços obtida principalmente entre a classe média nos últimos anos. Embora as classes A e B também sejam afetadas pelo aumento de preços, esse público tem "mais sobra" orçamentária para absorver os impactos dos custos maiores. Com isso, as demais parcelas da população acabam por cortar as "gorduras" como viagens de férias, passagens aéreas e compras indiscriminadas nos supermercados e nas lojas do varejo.
Tanto que aumentou o volume de financiamentos renegociados por pessoas físicas. Entre dezembro de 2011 e setembro de 2013 o volume de contratos renegociados aumentou 42%, índice mais do que o dobro da expansão total de empréstimos a pessoas físicas no período (16%). Essa movimentação forçou a queda das taxas de juros, que passaram de 50,5% ao ano em dezembro de 2011 para 37% em setembro passado.
Nesse cenário, se pelo menos a redução dos juros é fator positivo, a relativa piora da qualidade de vida dos brasileiros é ruim. Enquanto o aumento do consumo (de bens duráveis, não duráveis e serviços) ocorreu devido a demanda reprimida e ajudou a sustentar o crescimento do País anos atrás, esse recuo é prejudicial. Corrobora para alimentar a tese de um desenvolvimento artificial e não sustentável no longo prazo.
As conquistas sociais dos brasileiros estão relacionadas à competitividade e à capacidade de atração de investimentos do País. Dependem também do aumento da produtividade, da melhoria da infraestrutura e da capacitação da mão de obra, fatores que têm melhorado em ritmo demasiado lento. Por isso, a contenção da inflação se faz fundamental, principalmente porque as classes sociais mais baixas são justamente as mais vulneráveis a seus efeitos.

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