Com exceção do projeto aprovado pela Câmara Federal visando agilizar os processos criminais (que ainda assim encontram opiniões divergentes), as notícias que emanam da Casa não poderiam ser piores. Porque na madrugada de quarta-feira – horário em que a gatunagem genérica age com mais desenvoltura – aprovou o restabelecimento do número anterior de vereadores, em todo o Brasil. Já na noite de véspera a Câmara havia aprovado projeto de lei complementar abrindo facilitações na Lei de Responsabilidade Fiscal, na questão crucial dos gastos com pessoal e de endividamento das instituições públicas. E uma terceira notícia triste é a de que o Senado está tendente a aprovar a nova CPMF.
  No caso dos vereadores, o projeto ainda trilhará por longo percurso, pois passará pelo Senado, mas pela tradição dos parlamentos brasileiros, profícuos em irresponsabilidades e carentes de espírito público, já se imagina o que pode ocorrer. Nem um aceno de diminuição de gastos, mas ao contrário, de mais inchaço da máquina pública. Tudo isto para atender ao corporativismo parlamentar, que tem sua matriz em Brasília. Mais vereadores significa mais encargo municipal, embora o mesmo projeto encerre a proposta de cortar repasse das verbas às Câmaras. (No mínimo um paradoxo esse corte, justificado para ‘‘corrigir distorções’’, e a idéia absurda de aumentar o empreguismo por via de mais vereadores).
  Sabe-se que quanto mais homens públicos, mais possibilidades de corrupção. No caso do Paraná serão mais 430 vereadores que o povo terá de sustentar, com os salários deles, assessorias (muitas sem função alguma), outros gastos operacionais e uma inseparável freqüentadora desses redutos, a corrupção. Interessante, a denegrir ainda mais a imagem dos políticos, é que o provável aumento do quadro não preocupou a classe dos colegas e sim o corte dos repasses. O primeiro a manifestar-se foi o presidente interino da União dos Vereadores do Paraná, Eloi Khun. Para ele, a redução dos repasses ‘‘torna inviável o trabalho do Legislativo’’.
  De fato, as mordomias ficarão inviabilizadas, ao menos quanto ao ritmo atual. Na mesma canoa embarca o presidente da Câmara de Londrina, Sidney de Souza, ao criticar o possível corte de verbas. Ele diz que com os valores que a Casa irá receber – se aprovada a mudança – não será possível a Câmara abrir ‘‘nem um dia’’. Quem sabe baixando salários e destituindo assessorias (porque economizar não contraria os regimentos) o funcionamento seja possível em tempo integral, e com sobras. Vê-se que não são só as barbaridades aprovadas em Brasília, mas os disparates que se tem de ouvir na continuidade.

mockup