Aumento de vagas no sistema de cotas
O Senado deve votar em agosto projeto que reserva 50% das vagas das instituições federais para alunos que estudaram somente em escolas públicas. Estima-se que o número de vagas existentes nas 59 universidades federais é 244.263. Caso aprovado, o projeto destinará 122.132 cadeiras para os cotistas - hoje esse número chega a 52 mil vagas.
O texto em análise no Senado define critérios étnico-raciais e sociais para o preenchimento das vagas. Pelo critério social, 25% deverá ser ocupada por estudantes cujas famílias tenham renda per capita igual ou inferior a um salário mínimo e meio (R$ 933). Mas a prioridade é do critério étnico-racial. Ou seja, o projeto determina que todas as vagas devem ser destinadas primeiramente a estudantes negros, pardos ou índios que frequentaram escolas públicas. Ainda conforme o projeto, sobrando vagas após a aplicação do critério étnico-racial, elas serão ocupadas por estudantes brancos e amarelos vindos do ensino médio público.
O governo federal já declarou que apoia as mudanças, porém, anunciou que vai vetar o artigo que libera os cotistas de prestarem o vestibular e ingressarem no ensino superior pelas médias das notas no ensino médio. Também anunciou que dará um prazo de quatro anos para as instituições se adequarem.
A aplicação das cotas nas universidades sempre foi alvo de polêmica e as propostas de mudanças devem ser alvo de debates pela imprensa e pela sociedade. O tema é complexo. Especialistas já se posicionaram dizendo que mais simples seria o uso apenas da cota social, levando em conta o poder aquisitivo do aluno, sem o critério da raça - mesmo porque, o texto não prevê cotas raciais para alunos de escolas particulares. Contrários ao sistema justificam que as cotas acabam gerando conflitos raciais.
Do outro lado, os argumentos também são fortes e dizem respeito principalmente a uma reparação histórica e social, pois a maior parte dos negros, no Brasil, não tiveram as mesmas oportunidades que os brancos. A escravidão influenciou gerações e a educação é uma forma importante de mudar essa realidade.





