Aumento de tarifa e anomalia
Por que a tarifa dos ônibus urbanos, em Londrina, subiu de R$ 1,60 para R$ 1,90? Por que um tão elevado aumento, se há um ano e meio (em junho de 2003) já houve elevação da tarifa de R$ 1,35 para
R$ 1,60? Por que o aumento só aconteceu depois das eleições? R$ 0,30 a mais é um valor muito alto 18,75% muito acima da inflação medida no período. A Câmara Municipal que não tem obrigação de manifestar-se a respeito poderia tê-lo feito, pois se trata de questão de relevante interesse público. E a sociedade, pelas suas diferentes representações, não foi consultada. Não se sabe como a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização fez os cálculos. Se um item por exemplo o óleo diesel subiu 24% no período, é preciso saber quanto essa alta incide sobre o custo da empresa e sobre a tarifa, assim com o pessoal, com o equipamento rodante e outros ítens. Ao público não foi dado conhecimento desses cálculos. Para aquele que usa 4 passes diários, o custo adicional é de R$ 36, contando-se 30 dias do mês. A cada nova tarifa, o poder público precisa fazer um levantamento da frota das empresas, de suas instalações, ferramentaria, realizar os cálculos de depreciação e amortização, despesas fixas e variáveis, lucros, custos administrativos, número de passageiros transportados e quilômetros percorridos. O mapa desses dados não foi divulgado, e seria interessante conhecê-lo. Ademais, há um impasse não resolvido com relação à concessão do transporte coletivo urbano. Em novembro de 1977, por decisão da Justiça de Londrina, o antigo contrato de concessão foi renovado, por 10 anos, ocasião em que entraram os atuais donos da empresa de transportes Grande Londrina que a haviam adquirido dos então concessionários Irmãos Lopes, por R$ 70 milhões. Mas no ano passado essa medida foi revogada, por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Era quando todo o patrimônio da empresa deveria ser revertido para o Município, conforme a lei 2.646 de 1976, do então prefeito José Richa. Mas tal não ocorreu, porque ninguém cobrou, nem o Município, e não se sabe porquê. Essa anomalia no processo manteve-se. Se a questão for levantada, gerará complicação das grandes. De posse do patrimônio (o que deveria ter ocorrido), o Município amortizaria os proprietários no prazo de até cinco anos, depois de feita a avaliação do patrimônio e dos valores agregados nas tarifas anteriores, à guiza de amortização e depreciação do capital aplicado no serviço. O aumento inesperado da tarifa, que agora ocorre, e em nível tão alto porque R$ 0,30 é um porcentual elevado para o trabalhador levanta o véu de coisas pouco claras e que precisam ser desveladas.





