Aumento da violência
Mesmo com o aumento dos investimentos em segurança pública, do número de operações policiais e de presos, a quantidade de homicídios não foi reduzida em Londrina. O índice é alto, ainda mais se for considerada a taxa que a Organização Mundial de Saúde (OMS), que define como "violência controlada" quando o número de assassinatos está abaixo de dez para cada grupo de cem mil pessoas. Em Londrina, a taxa ficou em 25 no ano passado.
Para ficar enquadrado na estimativa da OMS, o município poderia registrar, no máximo, 52 homicídios por ano. A explicação básica para o aumento desse tipo de crime é o tráfico de drogas. Disputa por pontos e "guerra entre gangues" são corriqueiros e estão presentes também em cidades vizinhas a Londrina, como Ibiporã, Cambé e Rolândia. Por enquanto, o tráfico ou a violência gerada pela prática parece dar uma trégua apenas em pequenos municípios.
Além do aumento do efetivo policial, que tem crescido no Estado, é preciso investir na formação desses profissionais. A segurança pública não se restringe apenas ao policiamento. É preciso uma formação ampla, que também se atente para a produção de diagnósticos, de coordenação de pessoas e capacitação altamente técnica, inclusive com preparo psicológico. Também deve-se investir na reciclagem destes profissionais. Durante o ano passado, por exemplo, foram registradas duas ocorrências em Londrina, que geraram grande repercussão na sociedade, que podem indicar falhas nesse processo de formação dos policiais. Em outubro, um policial atirou e matou um cachorro depois de abordar um morador de rua na zona oeste da cidade. Outro episódio foi registrado na última semana do ano, quando uma policial em seu horário de trabalho disparou nove vezes contra o namorado, também policial, matando-o.
Fatos como esses são lamentáveis e não podem ser minimizados pela corporação. Além do combate ostensivo ao tráfico de drogas, os governos devem investir também em alternativas que contribuam para reduzir os índices de violência a longo prazo. Citada várias vezes neste espaço, a principal saída é a educação, com foco em crianças e adolescentes. Somente uma formação sólida reduzirá drasticamente esses índices.





