A Conferência Municipal do Meio Ambiente, que acaba de realizar-se em Londrina, evidenciou um fato já conhecido: o superaquecimento da área central da cidade em função da verticalização, ou seja, da grande concentração de edifícios altos. Outros dois fatores são o grande número de veículos, que expelem fumaça e calor, e mais a insuficiência de arborização, embora Londrina figure entre as cidades bem arborizadas. A recomendação é o plantio de árvores onde há menor quantidade delas e a utilização mais intensiva do transporte coletivo, de forma a diminuir a quantidade de veículos particulares em circulação.
Segundo Fernando Barros, presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente, a ocupação acelerada da zona urbana não tem sido acompanhada, na mesma medida, do cuidado com o uso do solo, que sofre com os danos à sua impermeabilidade. Se a demanda por unidades residenciais aumenta, em função do crescimento populacional, há um desordenamento na utilização do solo, como de resto aconteceu, e acontece, em todas as cidades brasileiras de maior porte. ''Temos uma legislação nova, moderna, mas desconhecida e descumprida. Os problemas ambientais cresceram, a impermeabilização do solo também, mas a fiscalização segue a mesma linha de anos atrás'', denuncia o presidente do Conselho. Problema sobre o qual os poderes públicos - incluindo a Promotoria do Meio Ambiente e os urbanistas - precisam se debruçar.
Mostrou-se durante a Conferência que ações simples, tomadas pelos habitantes da cidade - individualmente e em grupo - trazem excelente resultado na melhoria do ambiente. Como o carro a gasolina ser trocado pelo com motor flex; a opção o mais possível pelo ônibus urbano; e a reciclagem de quase tudo o que se joga fora e que aumenta o volume de detritos nos monturos públicos, enquanto o lixo não é industrializado. Superaquecimento é resultante também das queimadas domésticas, comuns em Londrina e que não têm recebido reprimendas dos bombeiros.
E - embora esta não seja uma questão ambiental mas de saúde pública - alerta-se que a chegada do verão aumenta o risco de uma epidemia de dengue hemorrágica, como este Jornal mostrou em reportagem recente. Isto remete, também, para a conscientização das pessoas, que precisam levar a sério o problema e não possibilitar, pelo descuido, a geração do mosquito causador do mal. Um aviso amedrontador: a dengue hemorrágica pode matar uma pessoa em apenas 10 horas!

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