No apagar das luzes de 2014 a Agência Nacional de Energia Elétrica divulgou que a partir de janeiro todos os consumidores de energia ligados ao sistema das distribuidoras pagarão R$ 3 a mais para cada 100 kilowatts-hora consumidos. Na prática, o aumento é de 8,3% e vai ocorrer devido à implementação do sistema de bandeiras tarifárias que, já a partir do próximo mês, tem definida a cor vermelha. Apenas algumas regiões dos estados do Amazonas, Amapá e Roraima, que fazem parte do sistema isolado, não terão de arcar com a tarifa extra.
O aumento atinge em cheio o bolso dos consumidores que, ainda neste ano, tiveram que pagar um dos maiores reajustes praticados na tarifa de energia elétrica. No Paraná, por exemplo, o aumento foi superior aos 20% e em outros Estados o índice de reajuste foi semelhante. Ainda é importante lembrar que a implantação das "bandeiras tarifárias" não acaba com outros reajustes. Como este foi um ano eleitoral, os aumentos ficaram represados e certamente serão repassados em 2015.
Além da estiagem que atinge o Estado de São Paulo, talvez uma situação imprevisível, é importante lembrar que o cenário enfrentado atualmente é reflexo da falta de investimentos diretos em infraestrutura. Assim como ocorre com a situação de estradas, rodovias, portos e aeroportos, que estão em estado precário, o mesmo pode-se afirmar da geração e distribuição de energia elétrica. A atual estrutura simplesmente não foi preparada para o crescimento do consumo. Além disso, mesmo com o aumento da tarifa o operador não descarta o risco de racionamento. A combinação é uma tarifa extremamente alta com um serviço que deixa a desejar.
Diante de um quadro como esse, a conclusão que pode-se chegar é que o governo quase nunca faz a sua parte em benefício dos cidadãos e do próprio País e, como sempre, a população pagará a conta.

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