Salário e desenvolvimento caminham atrelados e um não avança sem o outro. Uma empresa não pode elevar simplesmente os ganhos de seus trabalhadores se não houver crescimento dos seus negócios, e os negócios não se expandem se não ocorre a contrapartida do consumo de seus produtos e serviços, o que se verifica quando há aumento do poder de compra, que acontece por via de bons salários. É uma reação em cadeia, e fatores intermediários podem ajudar no processo. Um deles a redução dos encargos sociais sobre a folha de pagamento, de forma a que ao menos uma boa parte desse confisco seja incorporada ao salário. Na extensão a redução da carga tributária que tange tão duramente o segmento empregador e a reformulação da legislação trabalhista. No caso do salário mínimo, aumentá-lo de R$ 260 para R$ 320 como agora quer a Central Única dos Trabalhadores não é um procedimento que se opere pela simples assinatura de um decreto, porque existem aí muitos implicadores. Não é uma questão que envolve apenas o governo/empregador mas a classe empregadora no geral. Pede a CUT que o governo ''reserve recursos suficientes para elevação do salário mínimo'', mas não é o governo o grande empregador e sim a comunidade privada da área da indústria, da agricultura, do comércio e dos serviços. Sempre que se fala em elevação do mínimo pensa-se no quanto o poder público irá despender, mas há que saber quantos empregados dessa categoria atuam na área oficial. O número é certamente menor do que os das empresas privadas. Com o aumento do mínimo o governo ganhará, porque crescerá a fatia dos encargos, embora cresça também a cota proporcional da Previdência. Fosse tão simples elevar o salário mínimo, certamente tal medida já teria sido tomada por este governo e também pelos anteriores. As grandes medidas e estas são possíveis mas o governo e os parlamentares não ousam tocar serão a reformulação da política tributária, a redução dos encargos (com a transferência do respectivo valor, ou parte dele, para o salário), e uma adequação da CLT. Nada mudaria na conta da empresa repassar parcela do encargo para seu empregado, que já é obrigada a pagar essa cota, mas veria aumentado o poder de compra do assalariado, e este sim seria um fator desenvolvimentista. Já se tem falado à exaustão da necessidade de reformar a Consolidação das Leis do Trabalho, que já tem 60 anos e continua a mesma, com algumas alterações mas continuando inibidora do emprego. Será sempre uma proposta vã a de aumentar o salário mínimo por um simples ato e imaginar que isto, por si só, será a salvação nacional, porque a questão do emprego e da melhoria salarial, no Brasil, tem de passar primeiro por outros canais. Implica em grandes reformas, como as citadas, e em tocar naqueles vespeiros que os políticos tanto temem.

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