Às vezes são comuns como água as suspeições e acusações de pagamento de propinas a vereadores (e a parlamentares no geral) para aprovação ou rejeição de projetos de interesse de terceiros. Mas essa crônica escandalosa da política brasileira, tão recheada de histórias, é abominada pela opinião pública e denigre a imagem já tão obscurecida dos políticos. Fatos como a prisão do vereador Henrique Barros, suspeito de concussão (a denominação dessa irregularidade) robustecem a descrença da população nos homens públicos.
Nesta segunda-feira o Ministério Público, que vinha investigando o vereador e executou sua prisão em flagrante, vai tomar o depoimento de mais cinco vereadores. É levantada também a tipificação, no caso, de improbidade administrativa contra o vereador, o que, se for comprovado, poderá resultar na suspensão de seus direitos políticos. As suspeições acabam recaindo sobre outros vereadores e, nessa malha, estão envoltas mais pessoas. Porque se há corruptos há corruptores nos casos de concussão, o delito de funcionário público que, abusando do poder da função, aceita a doação espontânea ou por extorsão de dinheiro e outras vantagens, em troca de favores. Ambos cometem crime da mesma natureza.
O episódio está causando repercussão pelo fato de o jovem vereador (de 29 anos e já no segundo mandato) ter boa situação econômica e declarar-se potencial candidato a prefeito, pelo PMDB, em cujo páreo está também o presidente municipal do partido, o ex-prefeito e atual deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, que rapidamente busca uma punição ao vereador, dentro do partido.
Em reunião de sábado da comissão executiva do partido, Barros foi afastado da liderança partidária na Câmara, e a Comissão de Ética da Casa examina a situação do colega, até ontem ainda recolhido no Centro de Detenção e Ressocialização, em Londrina. Pela palavra de Cheida em entrevista coletiva à imprensa, as Promotorias de Investigação Criminal e de Defesa do Patrimônio Público, que presidem o inquérito, afirmam existir provas materiais contra Barros, entre elas o depoimento de empresários que têm procurado essas instituições para oferecer denúncias. Cheida, portanto, dá a dimensão da gravidade da denúncia.
Nem toda a Câmara fica sob suspeita, ao contrário do que disse o vereador Bergamin, que também estaria arrolado para depor. O acontecimento, por isso, não turva a imagem da Casa inteira. Porque podem cair os homens mas devem ser salvas as instituições.

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