Aumenta número de mulheres no comando
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de abril de 2008
Vera Fiori<br>Agência Estado 
São Paulo - A escalada cor de rosa rumo ao topo das companhias é lenta e gradual, mas muita coisa mudou no mundo corporativo e a guerra dos sexos vai sendo superada, sobretudo quando a empresa comandada pela mulher apresenta resultados. Dois exemplos irrefutáveis são as gigantes Pepsico, liderada pela indiana Indra Noovy, considerada pela Forbes uma das mulheres mais poderosas do mundo, e a Xerox, com Ursula Burns à frente.
O último levantamento realizado pela Catho, empresa de recrutamento, junto a 94.923 empresas e 360.501 executivos, aponta participação histórica de mulheres nos níveis hierárquicos mais elevados (presidentes e CEOs): 20,56%. É o percentual mais alto registrado nos últimos 11 anos - em 1997, elas representavam apenas 10,39% dos presidentes e CEOs.
Mas qual é o perfil dessas mulheres? Para confrontar os estilos das executivas brasileiras com os das norte-americanas e inglesas, a Caliper, consultoria internacional em Recursos Humanos, em parceria com a HSM, elaborou uma pesquisa. ''Foram entrevistadas individualmente cerca de 60 profissionais do Rio, São Paulo, Pará, Bahia, Goiás, Minas, Santa Catarina e Paraná'', afirma José Geraldo Recchia, presidente da Caliper do Brasil. As executivas atuam em 17 segmentos do mercado, de cosméticos e alimentos a áreas de saúde, petróleo, transportes, telecomunicações, entre outras.
''Ao contrário do que se imagina, as solteiras não são a maioria: 65% das pesquisadas são casadas; 23%, solteiras; 9%, divorciadas, e 3%, viúvas.'' A faixa etária impressiona: 55% das entrevistadas estão abaixo dos 44 anos. Porém, se por um lado a idade imprime a idéia de dinamismo e inovação, a carreira vertiginosa, com pouco tempo em cargos intermediários, foi apontado por 13% como um complicador.
Com 42% das respostas, o maior obstáculo para atingir a liderança diz respeito ao preconceito de gênero, segundo Racchia, percebido mais nas regiões Norte e Nordeste. Por outro lado, as executivas respondem ao desafio de terem sua competência à prova investindo no conhecimento técnico e na formação acadêmica, quesitos nos quais superam os homens.
Outro dado interessante da pesquisa: quando saem em busca de um novo emprego, estão mais preocupadas com os benefícios e valores da empresa do que com a remuneração. Apesar de a dupla jornada não aparecer como a maior preocupação das entrevistadas (3%), elas destacaram a necessidade de as organizações adotarem uma política mais flexível quanto à jornada de trabalho para que possam atender a situações emergenciais em relação aos filhos.
Apoio familiar no processo de ascensão da carreira é fundamental.''Com certeza, essa ocupação de espaço no mundo dos negócios vem acompanhada de uma mudança no perfil dos esposos, que apóiam e dão a retaguarda necessária quando surgem reuniões e viagens de trabalho.''


