Rio - O setor público está assumindo um papel cada vez mais central na economia brasileira, tornando a sociedade crescentemente dependente do Estado.
O diagnóstico é do economista e cientista político Alexandre Marinis. ''Os jovens estão mais inclinados a optar pelo trabalho no setor público, em detrimento do privado.''
A remuneração, diz o economista, é o que mais atrai. Em 1996, o salário médio de um servidor civil do Poder Executivo era 60% maior do que o de um trabalhador de rendimento médio em São Paulo.
Hoje, o salário do primeiro é 4,3 vezes o do último. ''Além do salário deprimido, o setor privado exige competitividade, impõe metas a cumprir e oferece risco de demissão'', explica Marinis.
As desvantagens do trabalhador privado estendem-se à aposentadoria e ao crédito. O benefício médio do INSS, de R$ 513,76 em janeiro de 2007, é 6,8 vezes menor do que a aposentadoria média do Executivo (R$ 3.501), 21,1 vezes menor que a do Legislativo (R$ 10.866) e 27 vezes menor que a do Judiciário (R$ 13.869) federais.
Já o crédito consignado em folha de salários, que foi uma das modalidades cujo crescimento mais beneficiou as pessoas físicas nos últimos anos, tem 87% do seu saldo com aposentados e servidores públicos, e apenas 13% com trabalhadores na ativa do setor privado.
Máquina pública - Marinis observa que, depois de um princípio de reversão da tendência de aumento dos gastos públicos no início dos anos 90, o Estado brasileiro retomou a tendência iniciada na década de 80, e voltou a inchar.
As despesas correntes do governo central caíram de 19,3% do PIB em 1990 para 14,4% em 1991, durante o governo Collor. Em 1992, porém, elas subiram para 16,2% e em 1993 atingiram 20,4%. Em 2006, as despesas correntes do governo central já chegavam a 30,2% do PIB.
Aumento - Os servidores da ativa no Executivo federal tiveram seu número reduzido entre 1992 e 2002, caindo de 998 mil para 810 mil. A partir de 2003, a tendência foi invertida, e em 2006 já havia 992 mil funcionários no Executivo federal.
Marinis nota um detalhe curioso: de setembro para outubro de 2006, entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais, houve um aumento de 104.549 no número dos militares.
Uma das principais preocupações de Marinis, como cientista político, é que a dependência excessiva do Estado enfraqueça a democracia.
Ele nota que o baixo crescimento econômico tende a deixar grande parte da população, que é pobre e pouco educada, em situação de grande dependência das transferências do Estado.
Isso, por sua vez, pode se traduzir numa tendência de votar no governo ou em seus candidatos, dificultando a alternância de poder.

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