Áulicos contra Hauly
Quando o deputado federal Luiz Carlos Hauly defendia o PSDB contra os seus adversários não poucas vezes fiz um trocadilho chamando-o de háulico do grupo alvarista. Apesar dos problemas regionais, ele sempre foi fiel ao PSDB e tanto que operou como vice-líder e até como líder de FHC na Câmara. Agora o baixo clero que tomou conta do partido (isso não significa que o time anterior tivesse maior qualificação) o constrange ao ponto de riscá-lo da lista de postulantes à reeleição quando não há um só dos seus integrantes com os seus méritos de parlamentar e militante. Isso sim é aulicismo radical.
Pois no encontro do PFL de anteontem, o deputado estadual e líder do governo na Assembléia Legislativa, Durval Amaral, solicitou dos seus companheiros um pedido de desagravo à figura do deputado Luiz Carlos Hauly, o que acabou negado porque não interessa ao consulado ferir e assoprar e sim constranger e isolar. Há algum parlamentar que tenha desempenhado com tanto ardor a tarefa de defender o governo Lerner, inclusive nas piores, e nas mais desgastantes tarefas como a do leilão da Copel, como Amaral? Não, nem de longe, o que não impediu que a esmagadora maioria não desse ouvidos à proposta para não aumentar os pesados constrangimentos do partido aliado.
Como hoje não há a candidatura nata, conforme decisão judicial, percebe-se que o caso foi de vindita, nada mais. Só que se isso for levado a sério teremos a ironia de ver um partido impondo um candidato a governador de poucos votos e negando acolhimento a um deputado que tem serviços prestados ao partido, e isso em escala nacional, e ao presidente da República. Amaral, ao fazer a proposta, agiu como quem sabe o que representa para a sua região, o Norte e especialmente Londrina, a atuação de Hauly e se a safadeza vier a ser consumada o eleitor da região beneficiada terá todas as razões para desconfiar das intenções do grupo que à base da truculência quer manter-se no poder.
PRECEDENTES Quantas vezes paranaenses tentaram a presidência? A postulação de ontem (anticandidatura de Requião) no PMDB e a do Paulinho Pereira da Silva como vice de Ciro Gomes restabeleceram a discussão. Em 1954, logo após a morte de Getúlio Vargas, o Paraná recuperou sua influência em escala nacional: Aramis Athayde foi para a pasta da Saúde e Munhoz da Rocha, em seguida, para a Agricultura num esquema de visava a vice ou a presidência, apoiado por seu amigo e compadre, Café Filho, assumira o Palácio do Catete.
Concretamente Affonso Camargo Neto foi o que chegou mais perto na condição de candidato à presidência pelo PTB, algo que só lembramos com constrangimento pelo papelão do até então nosso maior coordenador político ao brincar de Xuxa na tevê em sua falas aos baixinhos. Dizem que o Ciro Gomes teria agora entrado nessa. Felizmente não vi. E nem quero ver.
Em convenções do PMDB, e na condição de governadores do Paraná, tanto Alvaro Dias como Roberto Requião, decidiram colocar seus nomes em convenções e dançaram gloriosamente. Alvaro ficou em quarto e último lugar e Requião levou um baile de Orestes Quércia nas prévias, tendo desempenho frágil junto aos delegados paranaenses e até acusação de fraude nas listas de votação.
De qualquer forma o episódio não deixa de ser relevante a uma região de pouca expressão política. Tanto que o professor de Ética, ex-conselheiro do Tribunal de Contas João Féder achou que era uma boa causa a postulação de Requião.
MEDIOCRIDADE Numa semana de algumas euforias com a seleção brasileira tivemos a descompensação da mediocridade da nossa política. Aí, sim, temos um caso sem paralelo de nivelamento por baixo, pior do que o do futebol.





