Augúrios para 2002
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Vilson Antonio Romero 
Os afegãos radicais foram dizimados. O PIB brasileiro não cresceu como esperávamos. Nenhuma das pitonisas de plantão da virada do ano passado previu a hecatombe de 11 de setembro. O ''hermano'' Fernando De la Rúa (segundo os argentinos, ''De La Ruína'') já conversa com seu opositor, Menem, para salvar a nação portenha. O Fernando daqui pavimenta a estrada de sua sucessão, meio perdido entre a ''companheirada'' de sua base de apoio. O monopólio ''global'' de comunicação foi ameaçado por uma meia dúzia de quase insanos trancados numa casa ao lado da de Silvio Santos. O Lula sorri e desfila como se estadista fosse, estagnado em 30% de aceitação e outros tantos de rejeição. Os 30 milhões de miseráveis que estão nas ruas e sob marquises fedorentas continuam tão miseráveis como dantes. Os grandes clubes sucumbiram à camiseta e garra de dois times menores. O Guga parece que já não é mais aquele. A CLT foi flexibilizada. Estes e outros momentos marcaram o ano que encerra.
O que nos reserva 2002? Uma única certeza temos: será o último ano da gestão FHC, que vendeu o Brasil, sem diminuir a dívida externa, que suprimiu mais de 50 direitos e vantagens de servidores públicos e agora lhes acena com uma gota de 3,5% de aumento, num oceano de mais de 90% de inflação oficial em seus dois mandatos, que posou de estadista mundo afora, mas que tentou controlar a economia brasileira à custa de mais exclusão social e recessão.
Talvez tenhamos um pequeno horizonte de melhoria de perspectivas para o Brasil e os brasileiros, com novas injeções de ânimo e investimentos na produção nacional, que permita recuperar parte das perdas no emprego, na política social injusta, na lambança institucionalizada que campeou no Congresso Nacional e nos escândalos que marcaram a vida dos cidadãos, tornando-os incrédulos da capacidade de os agentes públicos servirem efetivamente ao povo.
Vamos ter um ano de ''palanques'' eleitorais, de promessas ''eleitoreiras'', de massacre televisivo e radiofônico dos programas dos partidos e de seus candidatos. Talvez não tenhamos muitas surpresas, mas vamos cansar os olhos e os ouvidos!
Quiçá pudéssemos ter mais segurança, saúde, educação de qualidade, previdência mais equânime, taxa de juros mais baixa, balança comercial superavitária, mais recursos para combater a miséria, com menos violência escancarada a cada dia em nossa sala de jantar!
Acima e além de tudo, que tivéssemos paz no Brasil e no mundo, para termos um pouco mais de esperanças e expectativas de uma vida melhor para nossos filhos e netos. Feliz 2002 para todos nós!
- VILSON ANTONIO ROMERO é jornalista e diretor da Associação Gaúcha dos Fiscais de Previdência


