Atropelamentos e caçadas ameaçam animais


Folha de Londrina
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Atropelamentos e caçadas ameaçam animais
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Esta semana, a Guarda Civil Municipal de Apucarana identificou o autor do atropelamento de um bando de 20 capivaras na Avenida Jaboti, na área do Parque Municipal Jaboti. O atropelamento aconteceu no último dia 5 e foi filmado por um servidor da prefeitura, configurando-se a ocorrência de um crime ambiental. O motorista, de 27 anos, matou uma das capivaras, feriu outras duas e fugiu do local. Soube-se, após a identificação, que ele já se encontrava preso por outro crime, o de tráfico de drogas.



Este é só mais um caso entre milhares de outros que ocorrem cotidianamente nas rodovias brasileiras. Pesquisa de 2020 aponta que 475 milhões de bichos silvestres morrem por ano nas estradas, o que significa 1, 3 milhão de mortes por dia. O "atropelômetro" - um aplicativo do Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE) da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - mostrava, até agosto de 2020, que 284,8 milhões de animais silvestres de 450 espécies haviam morrido nas estradas.


O Observatório de Imprensa Avistamentos e Ataques de Onças (OIAA Onça), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), também aponta que, em média, cerca de 90 onças são atropeladas por ano no Brasil. A média era de 7,5 onças mortas por mês, mas na pandemia este número subiu para 9. A explicação dos especialistas é de que no auge da pandemia, com menos movimento nas estradas, esses animais saíram mais das florestas, o que não significa que foram poupados por quem transitava em alta velocidade. Só a região Sudeste concentra 40% dos atropelamentos de onças, justamente por também concentrar 27% das rodovias brasileiras.



A Constituição garante que todos têm direito à vida e a um meio ambiente equilibrado. Mas de norte a sul, a morte de milhões de animais silvestres é a prova cabal de que existe enorme distância entre a intenção e a prática. A mesma Constituição reza que são vedados os atos que submetam animais à crueldade. Mas isso está longe de ser cumprido. A inconsequência de motoristas que desrespeitam a vida animal - e também humana - trafegando em alta velocidade mesmo em rodovias sinalizadas é comum, repetindo-se cotidianamente a covardia de fugir do local, como fez o motorista de Apucarana, agora identificado.


Além dessa violência, fruto de irresponsabilidade e falta de amor à vida, cabe ao poder público proteger a fauna e a flora, sobretudo em áreas próximas a parques e matas. Um recurso é a construção de passagens de fauna sob as rodovias muito movimentadas. Mas essas passagens são  ainda raras no País, apesar de sua fauna exuberante. O resultado é esse morticínio de animais silvestres nos cerca de 90 mil kms de rodovias federais, onde existem apenas cerca de 500 passagens deste tipo. 


Fora os atropelamentos, o País de fauna riquíssima teve, em março deste ano, a aprovação de um projeto de lei que libera a caça esportiva. E, apesar de apenas a caça ao javali ser permitida - porque a espécie é considerada invasora -, sabe-se que a regulamentação também serve para encobrir a caça de outras espécies. Há multas que variam de R$ 1 a R$ 10 mil  para quem caça animais indiscriminadamente. Mas o problema é que não adianta haver multas num País onde não há fiscalização.


A FOLHA deseja um ótimo final de semana a seus leitores

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