O mundo no qual vivemos e todas as suas atribuições como ''mundo de Deus'', não é semelhante a um véu, que encobre a grandeza, poder e majestade daquele que o criou; isto porque ''os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos'' (Salmo 19:1). A palavra ''firmamento'', aqui significa ''expansão'' ou ''difusão'', e quer dizer que as obras e a glória de Deus não se restringem apenas aos céus, isto é, a uma realidade superior ou a uma ''meta-realidade'', mas se propagam por toda a terra, ao passo que podemos apontar para as feituras Dele e, não obstante qualquer ceticismo, afirmar sua bondade e perfeição, pois nelas habitam a essência daquilo que chamamos de ''presença Divina''.
Contudo, já há muito tempo, boa parte da humanidade tem se asseverado a ignorar esta realidade, deixando de agradecer e servir ao Criador como Ele merece. A ciência, que esteve à ''frente do palco'' do século XIX ( o ''século do progresso''), bem como os cientistas da mesma época ícones da genialidade e também da arrogância humana esmeraram-se em provar cientificamente que a existência do Deus Criador do céu e da terra era uma farsa, elaborando teorias que supostamente atestariam isto e, por fim, explicariam a origem do mundo.
Resultado: com as catástrofes da época posterior (século XX), a ciência foi destronada como ''mãe do progresso'', e alegações como a de Laplace: ''Não tenho necessidade dessa hipótese (de Deus)'', perderam o valor quase celeste que possuíam, dada à latente impossibilidade da ciência de desvendar certos ''fenômenos''.
Assim, de acordo com o teólogo Bruce Milne, a perspectiva cristã tanto no empreendimento científico, como em outros empreendimentos humanos, está em descobrir Deus não somente nas ''brechas'', deixadas pelo pensamento humano, mas ao ver ''tudo'' como Sua criação e dom, e em contemplar, através das minúcias desta criação, seu poder e maravilhas. Aqueles que conhecem a Deus e não o glorificam como tal, são indesculpáveis (ver Romanos 1:19). Neste sentido, o conhecimento pode ser tanto um princípio de salvação como de condenação do homem, pois conhecer a Deus implica em fazer Sua vontade.
Deus é Criador e Senhor do universo; jamais deixará de ser. Nossa atitude, portanto, deve ser a de nos reconhecer como criaturas e de contemplar a ação de Deus na criação, seja por meio de atributos visíveis ou ''invisíveis'', com toda reverência a Ele devida, pois ''por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e suas palavras, até os confins do mundo'' (Salmo 19:4).
JONATHAN MENEZES é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina

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