A cena é ilustrativa: o vice-diretor da PEL, Jorge Igarashi, se aproxima da área onde trabalham os detentos da oficina de artesanato. Ele avisa em voz alta: ''Pessoal, está aqui um pessoal da Folha de Londrina. Eles estão fazendo uma matéria sobre o trabalho de vocês e vão tirar umas fotos. Se vocês não quiserem aparecer, por favor, podem ficar de costas ou se afastar''.
Após a desconfiança inicial, os presos começam a se aproximar da grade. Não tapam o rosto nem se escondem. Pelo contrário: com sorrisos desajeitados, risadas nervosas, começam a levar os produtos que estão confeccionando para a frente da câmera da fotógrafa. Ao fundo, até posam. Uma genuína demonstração de orgulho do próprio trabalho. ''Essa recuperação da auto-estima é fundamental na ressocialização'', aponta Igarashi.
Na PEL, a parte de ensino é reforçada por cursos de informática, uma biblioteca e atividades extras como dois projetos recentes envolvendo estudantes da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Embora ainda não seja o modelo ideal, a penitenciária ostenta um dos menores índices de reincidência do estado, em torno dos 20%.
James Alves da Rocha, 23 anos, cumpre pena de seis anos e seis meses por assalto e está há dois meses na PEL. Antes, tinha passado pela Prisão Provisória de Curitiba (PPC) e pela Colônia Penal Agrícola. ''Já tinha ouvido falar que a PEL era boa antes de vir pra cá'', diz. Na infância, Rocha interrompeu os estudos na 6 série. Na PEL, tenta terminar o ensino fundamental. ''É diferente da escola lá fora, é mais rápido, mais fácil''.
Outro detido, Adalto Dybas, 30, tem ainda 18 anos pendentes na pena por latrocínio. Nos 12 anos de sentença já cumpridos, esteve preso anteriormente em Brasília e na PCE. Nesses lugares, trabalhou. Na PEL, costurou bolas e hoje é monitor do canteiro de materiais fitoterápicos. ''Hoje sou um profissional, já fiz todo tipo de curso e posso trabalhar com muita coisa. A produção dos presos chega a ser melhor do que a dos funcionários do lado de fora'', desafia.
Já o ex-presidiário Antônio (pseudônimo) cumpriu dois anos e seis meses por assalto. Afirma que aprendeu na cadeia o valor do estudo. Em dois presídios, numa carceragem em Mamborê (36 km ao sul de Campo Mourão) e na Colônia (onde, segundo ele, ainda não havia escola), não conseguiu estudar. Na PEM, ficou apenas 70 dias. ''Se eu tivesse estudado, acho que teria sido mais fácil achar emprego'', relata ele, que demorou um ano para conseguir trabalho depois de ser libertado.
Outro egresso, Otávio (pseudônimo), está em liberdade há cinco meses. Ele completou o ensino fundamental na PEL, mas tem más lembranças da experiência. ''Não me serviu de nada. Se você não se aplicar, passa de ano do mesmo jeito. Tanto faz. Eu não sei nada''.
A diretora do Naes, Regina Baptista, alega que a educação na PEL tem a mesma qualidade da que é oferecida nas escolas regulares. ''Talvez muito no passado tenha havido a política de passar o preso a qualquer custo. Hoje, não mais. Mas é importante lembrar que o aprendizado efetivo também depende muito do aluno''.

mockup