Atividades escolarizadas roubam infância
A criança precisa ter pelo menos um período do dia livre para brincar e se relacionar com outras crianças. É o que defende a psicóloga Maria Aparecida Trevisan Zamberlan, uma das fundadoras da ludoteca da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e autora de livro e pesquisas sobre a importância de brincar. Ela observa que o excesso de atividades está ''roubando'' o tempo precioso da infância. ''Falta tempo para brincar'', afirma.
O resultado da agenda tomada por atividades escolarizadas, alerta a psicóloga, são crianças que se tornam adultas antes do tempo, obesas e estressadas. ''Algumas com úlceras e problemas cardíacos com apenas 10 anos de idade'', alerta.
A psicóloga lembra que brincar é tão importante que há estudos defendendo a inserção no currículo escolar das atividades em ludoteca (espaço para brincadeiras). A hora da brincadeira, conforme os estudiosos, deve ser desfrutada por crianças de até 10 anos. O motivo: crianças que brincam desenvolvem habilidades fundamentais ao ser humano, entre elas a criatividade, o aprendizado para solucionar problemas, maior interação e sociabilização entre as crianças.
O ato de brincar é definido pelo presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças, Oded Grajew como ''o alimento do pensamento que está se formando''. Ele adverte: ''As crianças não são executivos de terno e gravata''.
É brincando que a criança elabora progressivamente o luto pelas perdas que ocorrem com as mudanças nas fases da vida; encontra forças e cria estratégias para enfrentar o desenvolvimento de andar com as próprias pernas e pensar com a própria cabeça, assumindo a responsabilidade pelos seus atos. Brincar, segundo estudiosos, é por excelência a ferramenta que a criança dispõe para aprender a viver.
Conforme os pesquisadores, pais e educadores que respeitam a necessidade da criança brincar estão construindo os alicerces da adolescência mais tranquila ao criar condições de expressão e comunicação dos próprios sentimentos e visão do mundo.
Já o contrário resulta na ''adultez'', a antecipação da idade adulta, que segundo a psicóloga Maria Aparecida Zamberlan, compromete o desenvolvimento da crainça. Ela destaca que ensinar brincadeiras para filhos e netos é resgatar a cultura do passado e transmitir valores que, se não forem repassados, se perderão no tempo. É uma riqueza que precisa ser multiplicada.(L.M.)





