Atitude singular maior do que a reunião
Não bastaram as atitudes antiglobalização, inclusive com a morte de um manifestante, em Gênova, e todas as análises realizadas nas reuniões do G-8, nas quais os mais ricos observaram que os custos financeiros estão penalizando sobremaneira as economias emergentes, para as coisas mudarem. O grande exemplo veiculado na imprensa foi do agricultor plantador de arroz com alta produtividade sem, no entanto, ter possibilidade financeira de se alimentar com o próprio produto.
Todas as questões econômicas estavam demonstradas nas reuniões, principalmente a de que a produção árdua de um trabalho junto a terra ou qualquer meio de produção são suplantadas com o lançamento de um juro ao final de uma negociação. Os ricos continuam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres e cansados para produzir e vender para grandes nações.
Com certeza, o grupo dos sete mais ricos mais a Rússia ficará a observar números e possibilidades de produção de todo o universo. Não falaram absolutamente nada mas, é como diz um velho ditado: Temos que manter nosso cliente no balão de oxigênio, mantendo-o vivo para pagar o que queremos.
As grandes potências se conscientizaram dos malefícios causados às economias de menor porte. Para a exploração completa, talvez a reunião tenha chegado a conclusão de que se deva qualificar seus trabalhadores (países emergentes) e investir agora na educação e saúde, o que poderá dar resultado a longo prazo. Porém, este relacionamento deve ser feito antes da implantação de qualquer sistema de qualificação e ainda ser politicamente analisado, sentindo passo a passo todas as anomalias econômicas e sociais.
Poderia então o leitor questionar o porquê do título deste artigo. O que dizer da visita do primeiro ministro britânico Tony Blair ao Brasil e à Argentina, logo após os Estados Unidos terem anunciado novo subsídio à soja, ou também da visita da equipe econômica ao FMI à procura de recursos?
É um apoio de peso para a nossa economia, e junto com o primeiro-ministro britânico vieram os maiores empresários ingleses para verificarem o potencial do Brasil com a intenção de canalizar investimentos no nosso País.
Estamos com disponibilidade de recursos naturais para investimentos energéticos e expansão de nossos meios agrícolas. Temos a maior quantidade de milho orgânico e soja do mundo. Da mesma forma, temos a qualidade de nossa carne de frango e a qualidade e quantidade de nossa pecuária bovina, já que somos o maior rebanho comercial do mundo. Já abocanhamos grande parcela do mercado de frango e temos uma representatividade muito grande na exportação agrícola e pecuária.
Temos ainda uma expectativa de crescimento na área de bovinocultura, onde será fácil atingir a liderança de exportação mundial. E, o que o mercado sabe, é que nós somos uma das últimas fronteiras de crescimento.
Na verdade, a atitude do encontro político do presidente Fernando Henrique Cardoso com o primeiro-ministro britânico e o presidente da Argentina em Foz do Iguaçu foi uma maneira encontrada para mostrar aos ingleses nosso potencial energético.
Será que alguém tem dúvida de que a visita do primeiro-ministro britânico e a decisão de investir no Brasil e apoiar os dois maiores países da América do Sul, que carregam o Mercosul e detêm forças políticas e econômicas, com o objetivo de estreitar o relacionamento com a economia européia, não seria para deixar o Alca de lado?
Prova é que a imprensa americana cobrou um posicionamento do presidente de seu país, que mandou seu representante para conversar, olho no olho, com o presidente argentino. Não é interessante para as grandes economias que as pequenas venham a sucumbir. O que seriam dos grandes mares sem os pequenos rios?
Que venham os investimentos ingleses ou americanos da Alca ou da União Européia ou de qualquer um outro segmento que sinta ciúme.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina
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