O atentado que matou 12 pessoas, entre jornalistas, chargistas e policiais, na sede do semanário "Charlie Hebdo", ontem em Paris (França), não deve ser encarado como um fato distante e isolado registrado do outro lado do Oceano Atlântico. É um problema de todos porque o atentado foi uma tentativa de tolher a liberdade de expressão, de calar a imprensa e de vencer jornalistas pelo medo.
É óbvio que esse atentado carrega um enorme simbolismo. Ocorreu na França, berço das liberdades e dos direitos humanos. Além disso, o semanário é considerado um ícone da liberdade de imprensa porque desafia, com sátira e bom-humor, não só o fanatismo dos fundamentalistas islâmicos, mas a própria Igreja Católica, movimentos sociais e ideológicos de todos os tipos.
No entanto, embora esse fato tenha gerado repercussão mundial pela brutalidade da execução e pelas vítimas envolvidas, é importante que todos estejam cientes que ataques contra a liberdade de expressão e de imprensa são bastantes comuns no Brasil e na América Latina. Em terras tupiniquins há vários casos de jornalistas mortos pelo crime organizado, por exemplo. Outos fatos que ocorrem com frequência são tentativas de intimidação e censura obtidas por meio de sentenças judiciais mal fundamentadas e contrárias à Constituição Federal – artifício usado por políticos e autoridades. A liberdade de imprensa é peça fundamental na construção de uma sociedade mais crítica e vigilante.
Em um momento como esse, a liberdade de expressão deve ganhar papel de destaque na luta contra todo e qualquer fundamentalismo. As características do regime democrático devem ser resguardadas, afastando indícios de xenofobia e intolerância contra grupos da população. É preciso uma união global de esforços para combater o terrorismo sem prejuízos às liberdades. Se no mundo contemporâneo diferenças ideológicas e culturais seriam os motivos para os conflitos é preciso que todos estejam convencidos a aceitar e acolher os diferentes.

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