Não basta fiscalizar e punir ou apenas fazer críticas aos males ambientais sem medidas paralelas de solução ou ao menos de atenuação dos problemas. O anunciado projeto paranaense contra o desmatamento prevê programas paralelos sustentáveis. Como exemplo a proposta de produção de carvão vegetal com biomassa ao invés de destruir os fornos existentes (que usam madeira como matéria-prima) e retirar dos produtores a fonte de renda.
O projeto é do núcleo estadual do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (o Ibama) e será apresentado ao governador Roberto Requião. No Paraná, árvores nativas continuam sendo derrubadas, num momento em que também se reacende a discussão sobre a lei ambiental que determina a reserva de 20% de florestas em áreas agrícolas. Agora, paralelamente à proposta do Ibama, o deputado estadual Pedro Ivo propõe a reposição pelo poder público dos valores que os agricultores deixam de receber por não usarem aquele quinhão de terra.
E o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida apresentou projeto destinando 5% do ICMS para investimento em programas ambientais. No caso do carvão, a proposição do Ibama é que também sejam instalados fornos mais ecológicos, para que não produzam fumaça. Óbvio que as soluções não se resumem a questão como a produção de carvão (que serve a churrasqueiras, ferrarias e outros usos) mas ao menos há novo movimento preservacionista, em meio a tanto descaso oficial para o ambiente. O Plano de Combate ao Desmatamento que está sendo elaborado compreende também sanções rigorosas aos desmatadores, e é certo que contará com o apoio do governador Requião, que é defensor das causas do gênero e tem até posições mais polêmicas, como a sua oposição aos transgênicos. ''Será criado um programa sustentável conciliando ações legais, sociais e de conciliação, mas não se pode fazer isso sem saber o que as pessoas estão fazendo e por que'', declara o superintendente do Ibama no Paraná, José Álvaro Carneiro.
São passos isolados mas de relevância, ante a realidade devastadora da Amazônia e da Mata Atlântica, que tem motivado alertas da ONU e outros organismos mundiais. O Brasil é o país que mais desmata, em confronto com a Europa que aumentou sua área florestada. Séculos de desmatamento deixaram seminua a face da Terra, e a perspectiva é nada animadora, porque com o temido aquecimento global e o consequente derretimento das geleiras (que já está acontecendo) os mares aumentarão seu volume de água, inundarão as costas oceânicas em todo o mundo e as pessoas invadirão o interior do território, sendo pouco provável que as florestas sejam poupadas.
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