Que a saúde pública apresenta deficiências profundas, já não é novidade aos brasileiros. No entanto, a cada assunto abordado a ferida exposta parece aumentar. Reportagem de hoje desta FOLHA aborda a dificuldade de atendimento a crianças e adolescentes que enfrentam transtornos mentais ou
emocionais. Além da falta de preparo de pais e professores para reconhecer o problema e buscar ajuda, há poucos profissionais especializados e pouquíssimas vagas credenciadas ao Sistema Único de Saúde.
Estatísticas revelam que cerca de 6 milhões de crianças brasileiras precisam de atendimento em psiquiatria, enquanto o País conta apenas com 400 psiquiatras da infância e adolescência capacitados, sendo que a maioria deles está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. A maioria dos transtornos mentais que se manifestam na vida adulta começa a dar sinais na infância e na adolescência e, por isso, a importância de se investir no tratamento.
Por exemplo, entre 5% e 7% das crianças e adolescentes sofrem de Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH); já transtornos de ansiedade e depressivos são observados em 3% a 5% das pessoas com menos de 12 anos. Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) incide em 0,5% a 1% daquela faixa etária, enquanto transtornos de espectro autista estão presente em uma a cada cem crianças. Esses números reforçam a necessidade.
Minimizar o sofrimento dessas crianças é dever dos responsáveis e do Estado,
mas o assunto parece estar sendo negligenciado pelas autoridades. Além disso, garantir tratamento adequado reduzirá gastos previdenciários futuros e com saúde pública.
Outro ponto importante é conscientizar pais ou responsáveis da necessidade de buscar ajuda. Transtornos psiquiátricos ainda são cercados de desconhecimento e preconceito, o que leva ao negligenciamento do problema. Portanto, deve-se trabalhar em várias frentes: investimentos na formação de profissionais e na saúde pública e na conscientização dos responsáveis.

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