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Disputa será
entre correntes
mais liberais e
as conservadoras
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O Papa ainda vive, mas as lideranças da Igreja Católica já se preparam para eleger o sucessor, e este é o fato mais marcante e mais esperado de todo o processo que sucede a morte do titular. A humanidade inteira, católica ou não-católica, aguarda interessada quem irá suceder João Paulo II, porque ante as turbulências mundiais neste início de milênio, é de relevante importância o papel mediador e conciliador do chefe da Igreja romana. Governantes, pacifistas, instituições que erguem bandeiras pela causa da boa convivência entre os povos, têm a atenção voltada para os candidatos ao trono papal. Mas, no momento, é no seio da própria comunidade cardinalícia que compõe o Conclave com poder de votar e ser votado onde é mais intensa a expectativa e onde a tensão deve estar se manifestando. Porque cada votante é também um papa potencial. Anuncia-se a tendência de que o escolhido deva ser um italiano ou um latino-americano Brasil incluído, e nomes brasileiros em evidência são os dos cardeais Cláudio Hummes, arcebispo da cidade de São Paulo, e Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador, primaz do Brasil e maior autoridade eclesiástica do País. Outros latinos mais cotados são o colombiano Dario Castrillón Buracos, o hondurenho Oscar Andrés Rodriguez Madariaga e o argentino Jorge Mário Bergoglio. Os italianos são Dionigi Tettamanzi, Angelo Scola, Tarcisio Bertone, Angelo Sodano e Giovanni Battista Re. Nomes apontados são também os do africano Francis Arinze, do austríaco Christoph Schomborn, do indiano Telesphore Placidus Toppo e do alemão Joseph Ratzinger, este já denominado o ''candidato secreto'', porque é o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e decano do Colégio Cardinalício, portanto influente dentro da Igreja, e mais ainda por ter forte personalidade e alguma semelhança com a forma de ser do Papa atual. Todos os cardeais já estão se dirigindo para Roma, embora ainda não tenha ocorrido a convocação oficial. Ao lado da comoção que envolve a todos, o clima interno do Vaticano respira expectativa eleitoral. O sucessor deverá ser escolhido por 2/3 da assembléia dos cardeais, podendo haver mais de um turno (o polônes Vojtyla, Papa João Paulo II) foi eleito no terceiro. Imperam na Igreja Católica duas correntes: a dos mais liberais, tendentes, entre outras coisas, ao casamento dos sacerdotes, à permissão para mulheres também exercerem o sacerdócio, a métodos de contracepção e a uma gestão mais colegiada da Igreja. A serenidade presente fora das paredes vaticanas, embora a consternação que move a todos ante a agonia do Pontífice doente, não é certamente a mesma no âmbito do colégio eleitoral, pela razão de que todos são candidatos e, mesmo os que não são apontados como favoritos, vivem intenso nervosismo. Basta lembrar que o atual Papa não figurava entre os favoritos. Se a morte de João Paulo, já esperada, comove o mundo cristão e não-cristão, há um olhar atento voltado para o salão da Capela Sistina, onde, dentro de no máximo vinte dias após a morte do titular, se ferirá a histórica decisão de quem será o novo Papa.

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