Estabelecer políticas públicas para pessoas que moram nas ruas é um desafio para a maioria dos municípios brasileiros. Como incluir essas pessoas, que vivem as desventuras e tragédias das ruas, em programas de saúde, habitação e emprego? Se por um lado o poder público precisa de recursos e projetos de inclusão, a população de rua deve estar receptiva ao atendimento. A FOLHA mostrou na edição desta quinta-feira (1) o trabalho de seis mulheres de Londrina que se dedicam a levar prevenção, tratamentos de saúde e acolhimento para quem não tem onde morar. Elas integram o serviço Consultório na Rua, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, que busca ofertar a essas pessoas o mesmo atendimento em atenção básica ofertado nas Unidades Básicas de Saúde. É um trabalho importantíssimo. As profissionais procuram ativamente por essa população, oferecendo acolhimento, avaliação em saúde e prevenção. A lista de procedimentos inclui, entre outas ações, realização de curativos, avaliação e encaminhamento odontológico, coleta de exames laboratoriais e agendamento e acompanhamento de consultas, acompanhamento de gestantes pré e pós parto, administração de medicamentos injetáveis e administração de medicamento para tratamento de Sífilis e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Para usuários de álcool e outras drogas, a equipe aplica o plano "Crack é possível vencer" do governo federal. Trata-se de uma população bastante flutuante, mas mesmo assim o serviço tem mais de 400 cadastrados. Entre eles, um paciente com tuberculose e uma grávida. Não é o foco do trabalho, mas a equipe comemora muito sempre que consegue reintegrar um morador de rua para a convivência familiar. São muitos os motivos que levam uma pessoa a viver na rua: perda de emprego, abandono da família, dependência de álcool e drogas. E são muitos os problemas que eles enfrentam, sendo que o preconceito da sociedade é um dos mais graves. Se para alguns, eles são invisíveis. Outros os enxergam como um problema, um inconveniente, alguém que às vezes desperta comoção, outras vezes desconforto. É um alento saber que esses homens e mulheres, tão vulneráveis às doenças e violência, mesmo diante de um sistema frágil de assistência social, recebem pelo menos o atendimento básico de saúde.

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