A falta de conhecimento da população e as promessas de terra fácil dos movimentos inflaram os acampamentos com pessoas com pouca ou nenhuma experiência agrária. No acampamento 1º de Março do MST, por exemplo, não são poucos os donos de barraca que têm emprego fixo no comércio de Santo Inácio. Há relatos de pequenos comerciantes cadastrados que, em tese, têm pouca ou nenhuma chance de serem assentados mas foram aceitos no acampamento.
Sob a condição de não ter seu nome revelado para não atrapalhar suas chances, um comerciário de Santo Inácio falou com a reportagem da Folha. O rapaz de 25 anos é atendente de farmácia e montou uma barraca no acampamento há cerca de quatro meses. Segundo ele, apesar da coordenação do movimento exigir permanência, ele raramente vai ao local. ''De dia nem tenho tempo para ir lá e não tem condições de dormir por ali'', desculpa-se, afirmando também que adquiriu experiência na lida com o campo quando era adolescente e trabalhava com o pai. Ele conta que resolveu tentar um lote para melhorar de vida. ''A gente trabalha a vida inteira e não consegue nada, assim pelo menos temos uma chance. Um alqueire de terra custa de R$ 15 mil para mais'', calcula.
Assim como ele, a maioria das famílias acredita que o simples fato de ter erguido uma barraca na beira da estrada e permanecer nela mesmo que de vez em quando é garantia de aceitação no programa de reforma agrária. O próprio Incra, no momento do cadastro, não orienta os interessados sobre as condições de inclusão. ''Não é de praxe fazer isso, o pessoal usa os acampamentos para fazer pressão mas não significa que tem que ficar debaixo de lona para ser assentado'', diz o superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda.
A expectativa do Incra é ofertar nas próximas semanas novas áreas para a reforma agrária. Segundo Lacerda, o governo está em processo de compra de algumas fazendas mas ele disse não poder divulgar a região e o tamanho delas para evitar a geração de expectativa.(A.S)

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