Até ontem, povo só trabalhou para o governo
Desde 1º de janeiro até ontem todos os cidadãos brasileiros só trabalharam para o governo, significando que os poderes públicos - União, Estados e municípios - ficaram com todo o ganho dos trabalhadores em forma de impostos. A administração petista do presidente Luiz Inácio foi a que mais ganhou (em torno de 60% de toda a arrecadação nacional) e foi também a que veio subindo o porcentual da tributação - de 36,98% (dos rendimentos dos cidadãos, em 2003) para 37,81%, depois para 38,35%, outro salto para 39,01% até chegar aos 40,01% de 2007.
Os governos tanto arrecadaram que o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo teve de ser ampliado para abrigar a casa do trilhão que irá ocorrer no final deste ano. O painel registrou a entrada anual (em 2007) de R$ 921 bilhões, mas a previsão é de que chegue ao trilhão. Se fosse deixado como estava, o medidor iria ''explodir'', da mesma forma que os cofres do Tesouro estão a ponto de implosão de tão abarrotados de dinheiro. E o presidente Lula ainda quer mais e está investindo todas as fichas junto à bancada governista para ver recriada a CPMF, que voltaria com outro nome e a previsão de tirar do meio circulante mais R$ 10 bilhões por ano. Todo aquele volume de dinheiro, e mais ainda se forem criados novos impostos e se alíquotas dos atuais forem aumentadas, serão para alimentar as mordomias governamentais, os gastos desordenados, o superfaturamento, a inchada máquina pública e a corrupção. O que sobra vai para o programa eleitoreiro Bolsa-Família e, a bem da justiça, para os bons servidores (das áreas da saúde, educação e segurança policial), para as obrigações regulares do poder público e as (poucas) obras. Porque o que estava sucateado continuou na mesma condição.
Segundo aquela entidade paulista e o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, 75% dos impostos são pagos pelas empresas e 25% pelas pessoas físicas. Por extensão, mesmo aqueles 75% acabam sendo pagos pelo povo, porque embutidos no custo das mercadorias. Os 4 meses e 27 dias do ano tiraram do bolso dos cidadãos e dos canais de desenvolvimento R$ 400,38 bilhões - ou seja (e repetir é preciso), absolutamente tudo o que ganharam.
Este abuso estimula outras aberrações e irregularidades como sonegação fiscal, pirataria, trabalho informal e por aí em diante. Reduzir drasticamente os gastos, o que possibilitaria diminuição dos impostos, isto o governo não faz. E, embora os tímidos avanços e os muitos discursos, a administração Lula não está promovendo a implantação de infra-estruturas de crescimento, que aí sim haveria desenvolvimento econômico e arrecadação abundante e limpa. E assim toda a nação se beneficiaria.





