Ataques e ameaças: um risco à democracia
Nesta terça-feira (27), duas notícias caíram como uma bomba e mostraram que o País vive um momento delicado, em que a democracia está sendo colocada à prova. O primeiro fato é o ataque a tiros contra um ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em passagem pelo Paraná. O segundo é a revelação de que a família do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal) está sendo ameaçada. São fatos muito sérios, que precisam ser investigados e tiveram grande repercussão no Brasil e no exterior. O País precisa de uma Justiça independente e constranger juízes é inaceitável. Do mesmo modo, não se pode impedir a tiros uma manifestação de determinado grupo político. Novamente, é preciso apelar para a preservação da democracia, onde o debate deve acontecer no campo das ideias. Apresentar propostas, debater, discutir e participar de manifestações fazem parte do jogo. O mesmo não vale para a violência física e para o constrangimento.
É importante investigar os dois casos. Fachin revelou em um programa de televisão que seus familiares, que moram em Curitiba, têm recebido ameaças e que a preocupação com a vida deles o levou a pedir providências à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, e também à Polícia Federal. Cármen Lúcia autorizou o aumento do número de seguranças à disposição do ministro, que também é relator do pedido de habeas corpus preventivo apresentado pelos advogados de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse habeas corpus começou a ser analisado em plenário, pelo STF, na última quinta-feira (22) e será retomado no dia 4 de abril.
A redemocratização chega a 30 anos no Brasil e nesse período o País passou por várias eleições, algumas disputadíssimas. Mas 2018 mostra um clima preocupante de polarização política. As próximas eleições serão decisivas para o País. A participação do povo precisa ser feita com consciência, por meio do voto, e de uma cultura de respeito e paz.





