Associação Comercial monitorando vereadores
O anunciado monitoramento da Associação Comercial e Industrial de Londrina na atuação dos vereadores pode sugerir ingerência, mas tem o carater de zelar pelas causas da comunidade. A decisão foi apresentada pela entidade em reunião com uma representação de vereadores e tem a meta de discutir e encontrar soluções conjuntas para problemas da comunidade. É a primeira vez que uma associação classista demonstra esse interesse, e não há dúvida de que a fórmula é positiva.
No Brasil as representatividades sociais e os próprios cidadãos individualmente pouco se envolvem no processo político e assim não participam das decisões. Se os homens públicos sentem-se libertos para agir sem a observação atenta da sociedade, podem cometer desmandos ou tomar medidas equivocadas, que prejudicam a população, e é mais fácil também se deixarem envolver pela corrupção. Mas podem melhorar o desempenho se recebem sugestões como as que agora comerciantes e industriais pretendem dar.
Na última eleição houve substancial renovação na composição da Câmara, depois de escândalos que rechearam o noticiário durante o ano de 2008. Vereadores foram afastados pela Justiça e no veredicto das urnas o povo também deu seu parecer e muitos vereadores não foram reeleitos. Com essa iniciativa a Associação quer relacionar-se mais estreitamente com o Poder Legislativo e articular idéias de interesse comunitário. Isto ocorre também em decorrência dos tristes episódios que marcaram a anterior legislatura. O objetivo é mais uma ação de parceria, por via de porta-vozes das duas instituições, que acompanharão as sessões e reuniões das comissões. Este é um passo avançado - embora uma duplicidade, porque os vereadores já são representantes do povo - e outras associações precisam engajar-se no processo e não apenas na relação com a Câmara mas também com a Prefeitura. Tudo o que vem com o propósito de melhora é sempre salutar e atende ao apregoado ideal de os múltiplos segmentos da sociedade participarem não apenas com críticas mas sobretudo com ações junto ao poder público, ou contra ele se necessário.
A sociedade não pode pensar-se democrática apenas por votar e ser votada por via de seus postulantes, mas participar dos processos de mudança. Sem essa participação, perde muito da moral para criticar depois que as coisas erradas já aconteceram, e ademais a falta de cuidado popular também favorece a improbidade. A boa saúde das instituições depende da intensidade da presença do povo na vida político-administrativa e na constante vigia. Já está cunhado que o preço da liberdade é a eterna vigilância.





