O estado esvaziou-se no tempo e trouxe controvérsias entre os mais céticos e conservadores. As transformações foram ocorrendo lentamente. Contudo, o cidadão é quem está podendo vivenciar os efeitos da isenção governamental.
As privatizações, as concessões públicas feitas ao grande empresariado, entre outras ações, promoveram a quebra do poder público e ao brasileiro restou um comprometimento social determinante: acabar com a fome no País.
Acabar com a fome daqueles que com o desemprego, com a falta de oportunidades igualitárias, com a impunidade frente às corrupções, com a sobrecarga tributária, entre tantas outras façanhas do Estado, acabam sendo a grande maioria excluída.
Mas não basta uma campanha nacional do governo federal contra a fome. Antes, temos que admitir, que se fazem necessárias políticas práticas, seja por parte do governo ou da sociedade organizada, para que essa massa possa garantir o próprio sustento. Vemos algumas dessas iniciativas muito presentes em ONGs, projetos socais e grupos organizados espalhados pelo País.
Viver de doações empobrece não só o bolso como a alma. Nosso Brasil precisa mesmo é resgatar a auto estima de seus patriotas através da cidadania, do poder fazer por si mesmo.
Os sem-terra, os sem-teto, os famintos gritam por igualdade de direitos e oportunidades. Gritam por uma chance e não por doações. Cada um desses grupos, entre tantos outros, querem ser reconhecidos, aceitos, legitimados e respeitados pela comunidade civil como pessoas que pensam, agem e fazem.
Devemos estar conscientes da nova organização social que emerge das ruínas estatais. Devemos estar abertos e colaborar com as novas propostas de responsabilidade social. Devemos apoiar as instituições emergentes provedoras do bem estar.
Mas junto disso, e aí sim caminharemos para o pleno exercício da cidadania, devemos resgatar a oportunidade de realização desses cidadãos longe da exclusão social, do preconceito e da marginalidade, deixando o assistencialismo para o segundo plano.
O Fome Zero é para todos. Assim como tantas pessoas ainda continuam analfabetas no poder da escrita, mas não na consciência, os famintos precisam do alimento para garantir a sobrevivência tanto quanto o direito ao resgate social.
ANA CRISTINA PEREIRA é estudante de Jornalismo em Londrina

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