Se as faltas não justificadas às sessões parlamentares são um desrespeito à nação - que paga o elevado custo dos parlamentos - a assiduidade também não é medidora de eficiência. A atividade de deputados federais e estaduais, de senadores e vereadores pode eventualmente ser mais proveitosa no trabalho das comissões e nas visitas aos seus redutos do que fazendo discursos inconsistentes em plenário ou apenas estarem presentes. Mas continuar recebendo os benefícios, que são altíssimos, sem comparecer às sessões nos momentos de decisões importantes é mais que irresponsabilidade, mas esperteza.
Não se pode avaliar um parlamentar apenas pelas vezes que comparece ao plenário e sim pelo seu desempenho. Muitos que se vangloriam de comparecer regularmente às sessões - nos diferentes escalões das casas legislativas - podem ser parlamentares improdutivos. Quem pode fazer essa avaliação são seus pares e as comunidades que eles representam. Mas não é preciso fazer um balanço aprofundado para constatar-se que é baixa a operância dos parlamentares, no geral.
E se a presença regular nas bases é importante e necessária, a questão é também avaliar até que ponto essa pontualidade resulta em atendimentos ou é apenas o exercício da contínua campanha eleitoral, visando a eleição seguinte. Se, mesmo com boa vontade e trabalho, nem sempre um parlamentar obtém o que suas comunidades reclamam, há sabidamente os que atravessam o mandato sem apresentar um projeto, sem conquistar algum benefício em forma de obras para seus núcleos e sem conseguir a liberação de verbas. São muitos os bons de discurso mas ruins de serviço. E existem os melhores, que faltam pouco ou bastante, mas são produtivos e honestos. O eleitorado deveria monitorar cada um deles e saber, nas ausências a sessões, onde eles se encontram e o que estão fazendo - se efetivamente operando a serviço das bases ou cuidando de negócios particulares. Exigir que mostrem trabalho é um direito dos cidadãos, que os remuneram muito bem. Se numa empresa reclama-se competência e produtividade dos trabalhadores, não há por que não fazer o mesmo com os representantes do povo nos parlamentos.
Tem-se dito que, para qualquer profissão, se exige capacitação, menos para os cargos eletivos, e espera-se que um dia isto seja obrigatório. Também não se pede prestação de contas desses homens públicos, e como eles correm à rédea solta, pouco se importam. Navegam em mar de tranquilidade e não querem vida melhor. Certamente que isto precisa mudar, mas tal só acontecerá quando o povo decidir.

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