De 13 a 23 de abril, realiza-se em Itaici, Indaiatuba-SP, a 37ª Assembléia Geral Ordinária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. É um momento importante da Igreja Católica no Brasil em que os bispos procuram, na oração e no discernimento em comum, pensar os problemas da evangelização e da pastoral no País. A cada quatro anos, promovem-se avaliação do quadriênio e atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora.
Cada bispo diocesano é o grande responsável pela sua diocese, mas como adverte o Concílio Vaticano II, num mundo de rápidas transformações, de comunicação imediata e fácil dos acontecimentos, de interrogações sobre o progresso da técnica e da ciência, torna-se imperioso o exercício da colegialidade episcopal para o estudo e fixação de objetivos comuns e planejamentos da ação pastoral conveniente.
Não só o que diz respeito a Deus e à sua revelação aos seres humanos, mas o que toca o destino do homem, o sentido de sua vida, a sua dignidade, deve merecer a atenção e a solicitude da Igreja. A Igreja continua a missão de Cristo na terra, preocupando-se da vocação dos homens a se tornarem filhos de Deus e irmãos uns dos outros.
O Papa João Paulo II, em 1992, em Santo Domingo, ao comemorar os 500 anos de evangelização da América Latina, pedia a seus bispos que iniciassem uma nova evangelização, nova não em conteúdos mas em ardor, métodos e renovada fidelidade a Cristo, nosso Salvador. O Papa dirigiu, pouco depois, à Igreja em todo o mundo igual apelo para preparar-se espiritual e pastoralmente como convém para o terceiro milênio da evangelização.
A CNBB deve pois ter em conta e estudar a realidade humana em que se desenrola a ação pastoral. Deve refletir sobre ela à luz da Palavra de Deus e do magistério da Igreja, e buscar respostas aos desafios que se apresentam à sua missão. A Igreja deve, ela própria, ser evangelizada, isto é, rever-se quanto à fidelidade a Cristo, para poder evangelizar o mundo. O mesmo Cristo nos põe em permanente processo de conversão para que o testemunho corrobore o que anunciamos.
A CNBB terá uma vasta pauta de trabalho. Coincidentemente com o tema central, que é a avaliação do quadriênio e atualização das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, neste ano, deverá proceder à eleição da nova Presidência, Comissão Episcopal de Pastoral, Comissão Episcopal de Doutrina e do delegado da CNBB junto ao Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM).
Salientam-se ainda outros temas, como: Missão e Ministério de Leigos e Leigas Cristãos; o Jubileu do ano 2000 e os 500 anos da presença do Evangelho no Brasil, com apresentação, estudo e encaminhamentos propostos sobre as respectivas celebrações. Após 30 anos de aprovação e vigência do Estatuto Canônico da CNBB, propõe-se sua revisão a fim de atualizá-lo e adaptá-lo a recentes documentos da Santa Fé. Será apreciado ainda documento papal sobre as Universidades Católicas para aprovar as normas de sua aplicação em nosso País. São sempre estudados assuntos de Liturgia, com destaque neste ano para o Canto Litúrgico; bem como a Campanha da Fraternidade da Quaresma de 2000. Não faltam exames e estudos de desafios à evangelização e outros problemas, como a Igreja e a questão da Amazônia, povos indígenas nas diversas regiões do País, acompanhamento dos missionários brasileiros em terras de missão além-fronteiras, a situação dos bispos eméritos no Brasil, campanha de iniciativa popular contra a corrupcão eleitoral, a defesa da vida humana etc.. Na Assembléia há ainda comunicações, informe e relatórios vários.
Haverá um dia de retiro com o tema próprio do último ano de preparação ao Grande Jubileu do Ano 2000, dedicado ao Deus Pai, sendo pregador o Bispo de Vitória da Conquista - BA. Diariamente os bispos celebram a Santa Missa e a Liturgia das Horas. A convivência fraterna durante dez dias é fato de enriquecimento pessoal e ajuda mútua no desempenho da missão do bispo. Estamos certos que nos acompanhará a oração de nossas comunidades diocesanas.
As circunscrições eclesiásticas no Brasil somam: 240 (Arqui) Dioceses, um Ordinariato Militar, 14 Prelazias, 2 Abadias territoriais, 3 Eparquias e uma Exarquia (dioceses de ritos orientais). Os bispos diocesanos são 245, os bispos coadjutores e auxiliares são 50 e os bispos eméritos (aposentados) são 98.
- DOM GERALDO M. AGNELO - é arcebispo de Salvador (BA) e cardeal-primaz do Brasil

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