Casos de assédio moral e sexual nas universidades do Paraná reacendem a discussão da violência contra a mulher no ambiente acadêmico. Recentemente, a abertura de processos de investigação contra dois professores da UEM (Universidade Estadual de Maringá) gerou manifestação de estudantes. Na UEL (Universidade Estadual de Londrina), comentários machistas e agressivos postados em uma rede social por um aluno do curso de medicina também gerou revolta. O assédio nas universidades é discutido entre coletivos feministas e comissões dessas instituições, mas é importante que o debate alcance outros públicos. Principalmente porque o machismo é tão naturalizado no Brasil, que muitas mulheres desconhecem que são vítimas de um crime. Segundo a Constituição, "constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual" é crime. Uma pesquisa realizada pela Organização Não Governamental ActionAid, no ano de 2016, mostrou que 86% das brasileiras entrevistadas disseram ter sofrido assédio em espaços urbanos. Entre as 503 mulheres entrevistadas, todas as estudantes afirmaram terem sido assediadas. Na UEM, a investigação, que envolve dois professores suspeitos de assédio, segue em sigilo. Mas a comunidade universitária se movimentou para levar o tema para além do campus da UEM. Uma mostra fotográfica trouxe vítimas de assédio segurando placas com mensagens expondo os casos. A exposição teve grande repercussão, principalmente porque empresta voz para mulheres que denunciaram o problema ou para aquelas jovens que se sentiram constrangidas em apresentar queixa. E as fotos trazem exemplos revoltantes, quando o professor diz que a mulher na universidade é desperdício, ou quando oferece projeto de pesquisa em troca de sexo. As denúncias de assédio em universidades não podem ser silenciadas e esquecidas. É preciso investigar e punir os culpados. Mas também é preciso acontecer uma mudança cultural.

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