Assassinatos em série: ataques inevitáveis
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domingo, 28 de outubro de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Ao contrário do que muitos pensam, os serial killers não estão apenas nos Estados Unidos. Eles estão presentes em todos os países, inclusive no Brasil, e muitas vezes passam despercebidos entre nós. Identificá-los previamente ou até mesmo se precaver de suas investidas, no entanto, é uma missão impossível. Quem garante é a criminóloga Ilana Casoy, que desde 1998 se dedica ao estudo de crimes violentos e auxilia a Polícia Técnica Científica e o Ministério Público do País em investigações.
A especialista ressalta, no entanto, que um trabalho preventivo, social e educacional é a melhor fórmula contra a criminalidade em geral. ''Isso não deve ser feito apenas em função dos serial killers. Por todos os motivos do mundo um país deve investir na sua educação, na sua sociedade. O fator de maior importância hoje para a criminalidade aumentar é a exclusão. Na medida que o Estado e a sociedade incluírem os jovens, menos eles vão se desgarrar'', ensina.
Autora de obras como ''Serial Killer - Louco ou Cruel?'', ''Quinto Mandamento - Caso de Polícia'', ''Serial Killers - Made in Brasil'' e ''A prova é a testemunha'', Ilana Casoy esteve na segunda-feira em Londrina para fazer a palestra de abertura do 1º Workshop em Ciência Forense do Paraná e da 17 Semana da Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Na ocasião, concedeu a seguinte entrevista à FOLHA.
É possível identificar o serial killer e conseguir escapar de uma investida? A polícia está preparada para isso?
Identificar o serial killer é impossível porque a definição é posterior ao comportamento. Ele só vai ser serial killer depois que matou em série. Antes disso, ele pode ser um assassino comum. Nunca, nem o mal e nem o bem estão escritos no rosto, então a gente não consegue identificar apenas pela aparência. Ninguém está preparado para isso. Talvez só Deus.
Como a senhora traça o perfil psicológico de um assassino?
Eu não traço perfil psicológico, traço uma análise do comportamento criminoso daquele indivíduo, que serve para melhorar a investigação, torná-la mais competente, mais barata, mais eficiente. Faço um trabalho de antecipação de passos ou de comunicação com esse assassino - que também se utiliza da mídia para ter conhecimento de como a investigação está andando. É o que eu chamo hoje de análise criminal ou criminológica, que é feita a partir do comportamento dele no local do crime e da vitimologia. Desta maneira, vai se tornando uma análise criminal que ampara a polícia no trabalho de investigação.
O que há por trás de um criminoso? Há ligação com a infância sofrida, com o ambiente ou fator genético? O que influencia?
Sempre a gente vai ter um tripé: biológico, social e psicológico. Essas coisas andam juntas. Infância triste não é passaporte para ser mal ou para matar alguém. Muitas pessoas tiveram uma infância péssima, terrível, com abuso, e abriram ONGs para resgatar crianças abusadas e não foram matar essas crianças. Então, isso sozinho jamais explicaria.
Quais serial killers brasileiros mais lhe impressionaram
Sempre me impressiona o caso em que eu estou trabalhando porque eu tenho que estar dentro da cabeça desse indivíduo. Eu sofri em cada caso que eu trabalhei e que eu estudei. Sempre é muito difícil.
Há algumas especificidades dos assassinos em série do Brasil com relação aos de outros países?
A mente humana não tem fronteira geográfica; ela não sabe que está no hemisfério Norte ou no Sul. O que temos são diferenças de modus operandi, que são questões mais culturais ou de ritual, ligadas à cultura do país que ele (serial killer) está. A cultura pode influenciar, mas não (define) o comportamento criminoso em si. Há países em que o maior número de vítimas é composto por mulheres, outros por crianças, outro em que há questão racial implicada.
Além das questões culturais, há também as rituais. É diferente, por exemplo, atender um caso na Bahia e em São Paulo porque são culturas diferentes. Se na Bahia, toda vez que encontrar um trabalho de candomblé achar que o crime é religioso, estamos perdidos porque quase todos os crimes serão religiosos, pois o candomblé é muito presente. Também é necessário trabalhar com climas diferentes na investigação. Investigar um corpo que ficou em uma mata no Estado do Pará é muito diferente de ter ficado em uma mata no Rio Grande do Sul. O Brasil é um país muito grande e há diversidades cultural, geográfica, climática, de todo tipo. Sempre vai haver um traço comum entre os assassinos em série, mas são aleatórios e não preventivos.
Desde quando há relatos de situações envolvendo assassinatos em série no País? Sempre vai haver?
Desde o final do século retrasado, mas historicamente eles não estão compilados. Essa é a dificuldade porque não se definia assim e, por isso, estão misturados à literatura dos crimes em geral. Não sei se sempre vai haver serial killer, mas espero que não.
Esse tipo de crime predomina em algum Estado ou País?
A gente tem números de Estados que prendem mais, acredito que é porque a polícia é mais eficiente na conexão dos crimes. Muitas vezes não aparece porque ninguém conectou um caso com outro. Nós temos um autor só, mas não parece isso, nem para a população nem para a polícia. Mas são crimes raros. Nos Estados Unidos sabemos de mais casos porque a polícia identifica mais facilmente, tem mais tecnologia para isso. Os Estados Unidos são o país que mais tem serial killers do mundo. Não sabemos se é porque a polícia é melhor ou porque tem mais matadores em série mesmo.
Por que os assassinos em série causam certo fascínio em alguns tipos de pessoas? O ''Maníaco do Parque'', por exemplo, até se casou na prisão. Há uma glamourização da imprensa, de livros e filmes?
Há e não só nesse assunto. O crime em geral causa fascínio principalmente porque nós temos medo e não entendemos (por que ocorrem). Essa combinação é uma faísca mesmo porque tudo que você tem medo e não entende, você atrai, fica muito curioso para achar um caminho de compreensão.


