Assassinatos de jornalistas
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de outubro de 2018
No dia 2 de outubro, o jornalista saudita Jamal Khashoggi entrou no consulado da Arábia Saudita, em Istambul, na Turquia, com o intuito de buscar um documento para se casar. A noiva, que é turca, ficou esperando do lado de fora. Mas Khashoggi, um crítico do governo de seu país, nunca mais foi visto. Autoridades turcas dizem suspeitar que ele foi assassinado dentro do consulado. A Arábia Saudita afirma que o jornalista deixou prédio, mas não forneceu evidências disso.
No ano passado, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras, 65 jornalistas foram mortos no mundo por cumprir sua missão de informar, sendo 10 mulheres. Desses, 35 estavam em zona de conflitos e 30 em territórios pacíficos. A mesma organização contabiliza o assassinato de 1.035 profissionais no período de 2003 a 2017.
O Brasil é o segundo país da América Latina com maior número de jornalistas assassinados nos últimos sete anos. Foram 25. Somente o México matou mais.
Em 2016 e no ano passado, ocorreram casos emblemáticos pela violência empregadas. Após publicar notícias de um assassinato, o blogueiro Luiz Gustavo Silva foi morto a tiros em Aquiraz (Ceará). Isso em junho de 2017. Um ano antes, foi a vez do dono do jornal O Grito, de Santa Luzia (MG), Maurício Santos Rosa, ser executado com cinco tiros após publicar denúncias contra parlamentares da cidade.
O jornalista João Miranda do Carmo, que mantinha um site no qual criticava o prefeito de Santo Antônio do Descoberto (GO), recebeu 13 disparos. A execução foi em julho de 2016. O Paraná também está no mapa dos crimes contra profissionais da comunicação. Em março de 2016, João Valdecir de Borba foi assassinado no estúdio da rádio onde trabalhava em São Jorge do Oeste. Alguns meses antes, ele havia pedido para deixar de fazer programas policiais.
Há muitas agressões a repórteres no exercício de sua profissão. Segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), somente na cobertura da atual campanha presidencial, foram registrados 137 casos, a maioria por meio digital. Mas 60 foram físicos.
Os ataques a jornalistas ferem de morte a democracia. Em sua grande maioria, as agressões são um "cala boca", a mais grave forma de censura. Quando um repórter é atacado, toda a sociedade é atacada também em seu direito sagrado de liberdade de imprensa. O saudita Jamal Khashoggi é mais uma vítima. É preciso dar um basta a essa violência.



