O Banco Central (BC) do governo Fernando Henrique Cardoso introduziu no Brasil a mais nefasta política monetária da história do País. Com a substituição da dívida interna pública, regulada pelos índices que remuneram a caderneta de poupança, por títulos cambiais, foram criadas as condições para um verdadeiro desastre econômico que passou despercebido por muitos analistas financeiros e para a grande maioria dos brasileiros.
Não resta dúvida de que, para os mandantes do BC bem como para os analistas dos grandes bancos que ganharam rios de dinheiro com a ''estratégia'', estava desenhado o cenário que emerge agora. O que vemos hoje é cerca de um terço da dívida mobiliária interna do Brasil indexada ao dólar. É importante esclarecer à população brasileira que, quando o Tesouro Nacional contrai uma dívida interna pela emissão de títulos, recebe em reais. Mas pagará, no momento oportuno, em dólares. Péssimo para o caixa da União, ótimo para o ''investidor''.
Como justificativa para a desvalorização do real, tem-se usado todo o tipo de pretexto: o cenário político interno, o nervosismo do mercado e outras invenções que só encobrem as autênticas razões para a escalada do dólar nos últimos meses: gerar lucros para grandes bancos estrangeiros.
O ganho de quem adquiriu do governo brasileiro os tais títulos cambiais tem sido espetacular. Enquanto isso a valorização artificial do dólar impõe à população imensas perdas, como se vê agora com a volta da ciranda inflacionária. Este quadro era absolutamente previsível quando o BC, há questão de um ano e meio, modificou drasticamente o perfil da dívida brasileira, enriquecendo compradores de títulos cambiais e empobrecendo a população. A sociedade brasileira tem o direito de exigir que se apure com rigor a política cambial dos anos FHC, comandada pela dupla Pedro Malan e Armínio Fraga.
Esse ''final de festa'' acarreta imensos prejuízos ao País. Só quem foi convidado para a farra, tendo comprado os títulos do governo federal, se deu bem. Para se ter uma idéia, quem adquiriu esses papéis em setembro do ano passado, com o dólar a R$ 2,30, fechou contrato para receber juros de 12% mais a taxa cambial. O título foi adquirido, à época, a R$ 2,05. Detalhe: o BC recebeu em reais. Um ano depois, o papel foi resgatado por R$ 4,00, com remuneração espetacular de 95,12% em doze meses. Quem paga esta conta estratosférica, e em autênticas verdinhas, é o povo brasileiro. Alguém deveria responder por isso.

mockup