A história da Folha de Londrina se vincula também à abertura e asfaltamento de estradas, porque repórteres que acompanhavam os veículos da empresa transportando diariamente o jornal iam colhendo fotos de veículos encalhados nas estradas barrentas e convertiam essas imagens em reportagens. Assim, os governantes, que a princípio relutavam em atender o interior, acabavam cedendo ante a insistente pressão. Muitas melhorias aconteceram por essa via, e não apenas esta, porque comissões de lideranças regionais deslocavam-se até o palácio do governo (e o Jornal junto), levando suas vozes e seus memoriais reivindicantes. Não sem deixar nos tapetes palacianos a marca dos pés lamacentos. Nos tempos atuais as reivindicações sobre estradas mudaram um pouco de perfil, porque agora é a luta pela conservação e contra o assalto representado pelo pedágio. Mas ontem, na Folha, leu-se a repetição de uma cena do passado, com a comunidade reivindicando a pavimentação do trecho ligando o Patrimônio Regina à localidade denominada Fazenda Bulle, em Londrina, e dali até o acesso a Arapongas, um trecho total de 13 quilômetros. A reivindicação já tem 7 anos e está estampada numa grande placa à margem da Estrada Mábio Palhano (esta asfaltada), que é para os governantes lerem. Já houve mudança de prefeitos e de governadores de lá para cá, mas os dizeres da placa foram atualizados e a luta continua. Este é o caminho, o da persistência, porque assim tem sido nas campanhas de outrora, e não há que desistir. Neste país cujos governantes gastam fortunas com o supérfluo, em gordas mordomias e em despesas exorbitantes para custear altos salários e gigante aparato de assessorias no mais dos casos inoperantes, bem como em onerosos serviços paralelos de pouca serventia, haverá um momento de exaustão, em que reivindicações são atendidas. Será preciso manter a placa, citar nomes, porque políticos reagem quando são mencionados, afinal seu nome é a sua própria legenda. No Brasil as coisas relacionadas com governos levam tempo, porque o sistema público alimenta primeiro o seu próprio círculo orgânico, mas os agricutores da região citada, que não podem transportar suas mercadorias em dias de chuva e lama, porque os veículos não conseguem trafegar, precisam continuar sua campanha reivindicatória e vencer os governantes pelo cansaço. Porém, sete anos já representam um bom tempo e os governantes precisam definir, afinal, se a obra é municipal ou estadual porque um poder lança sobre o outro a responsabilidade. O que se sabe é que a lama vermelha e pegajosa é regional, que os reivindicantes são agricultores e cidadãos paranaenses, trabalhadores honrados, e justos quanto ao que estão pedindo, não havendo dúvida de que são merecedores, pela responsabilidade que têm de produzir alimentos e gerar empregos e riqueza. A estrada pavimentada não é um luxo, porém uma ferramenta de trabalho e, por extensão, de bem-estar e de direito. Quatro governantes foram eleitos para figurar na placa, cuja nomenclatura já é a segunda: o governador Roberto Requião, o prefeito Nedson Micheleti, o Secretário dos Transportes, Waldyr Pugliese, e a deputada estadual Elza Correia. Os que constavam na placa anterior não deram atendimento ao pedido, e espera-se agora que os atuais o façam e assim a placa não tenha mais sucessão de nomes e deixe definitivamente de existir.

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