Ascensão e queda (Luiz Geraldo Mazza)
Luiz Geraldo MazzaAscensão e queda
Fernando Henrique caiu nas pesquisas e isso é absolutamente normal, embora não deva ser subestimado. A quadra é ruim: cesta básica aumentando seis a sete vezes mais do que a inflação, estoques de alimentos no fim - o que derruba a âncora verde e obriga o País a importar produtos da Argentina -, desemprego em escalada, perda de controles do MST sobre as invasões e saques, a seca nordestina. Logicamente esse conjunto de fatores, mais do que o xingamento de vagabundo, ajuda na queda.
Havia uma cantiga popular do Brasil que dizia assim: Como vai, você?// Vou navegando// vou temperando// pra cima todo santo ajuda// pra baixo é que a coisa muda// como vai, você?// É o que se pode dizer da situação de FHC ante as pesquisas em tobogã. Mas ainda somando todos, num instituto ganha por um ponto e noutro empata. Pode, portanto, ainda, ganhar no primeiro turno.
Se a CUT, braço sindical do PT, e o MST, este afinizado mas não engajado, insistirem no enfrentamento como o dos saques e cerco a prédios públicos quem vai perder com isso, e também com as invasões de terras, será Lula porque a ele se atribuirá esse caldo de cultura, ainda que concretamente o candidato petista seja atualmente um homem moderado e por isso visado pela ala xiita do partido.
A melhora, pois, de Lula nas pesquisas pode não ser mantida, sendo até mais fácil FHC reverter o processo do que a oposição sustentar-se em ascensão. E a essa altura se tiverem a cabeça no lugar devem estar lamentando o circo de Brasília (que pretendia ser um cerco), tanto que buscam autocrítica e o próprio governador petista de Brasília, Cristovam Buarque, investiga como se deu a infiltração no episódio que obrigou a sua polícia a intervir com a energia indispensável para o tamanho da afronta. Mais alguns saques e cenas iguais a essa e Lula desce a ladeira e, mais uma vez, se distancia da rampa do Palácio do Planalto.MÁXIMA
O cristão vive jurando que nunca fará aquilo de novo. O homem civilizado apenas resolve que será mais cauteloso da próxima vez. Mencken.
AXIOMA Miguel Arraes, com quase 80 anos, decide candidatar-se ao governo de Pernambuco. Seus seguidores tentam demovê-lo, sugerem o Senado, a instância apropriada para encerramento de carreira. Arraes ouve com atenção e, com os olhos brilhando, pede 24 horas para refletir sobre o assunto. Antes vou falar com a mamãe, avisou. Os áulicos, depois dessa, deixaram a sala.
GLOSA E aquele caso do DER, com duas mortes lá no setor da DSTC, área de muitas disputas e ambições, fica assim como queima de arquivo sem apuração de coisa alguma? Afinal, um dos que foi atirado sobreviveu e pode dar uma idéia de tudo o que teria levado àquela loucura.
BIZARRICE Anedota do cara possessivo: Cheguei no meu apartamento e ao entrar em meu quarto vejo a minha mulher na minha cama com o meu melhor amigo e este, ainda por cima, com o meu vidro de Viagra.
SPRAY Mattos Leão Neto, que teve sua fazenda ocupada por sem-terra desde o ano passado e conta com uma ordem de despejo dos invasores não cumprida desde janeiro pelo governo: Lerner é um banana, um omisso.- Razões da revolta maior: ele viu um dos sem-terra usando roupas suas e montando um manga larga de sua fazenda no centro de Pitanga. Como se vê, o esbulhado é até sutil.- Os estudos do governo para as pendências do Noroeste vão bem na teoria, na prática não caminham: há oito fazendas que devem ser desocupadas porque se trata de terra produtiva e também, para compensar, cerca de 22 que devem ser desapropriadas porque ociosas.- De Arapongas informam que o vereador Onofre da Silva teve um carro apreendido por irregular e aí passou a agredir verbalmente o comandante da unidade da PM. O exemplo vem de cima: um deputado não gostou que multaram a sua mulher no trânsito e queria declarar guerra à Diretran.- Maria Helena de Borba Haubert Fleck, da Z. Publicidade, nega que tenha feito comentário depreciativo sobre o jornal Hora H porque este criticou, e com toda razão, a campanha vesga do pedágio.- Ocorre que um dos presentes na palestra de Maria Helena, no Centro Europeu, confirma a crítica pesada ao jornal. Pelo jeito, a interpelação judicial da gerente de Mídia não vai acontecer e no dia 25 deve haver encontro entre as partes. É mais sensato o diálogo e se houver desculpas de um lado ou de outro tudo se metaboliza.- Mas que a campanha institucional, apoiada na encenação nos postos de pedágio com gente educada demais distribuindo volantes explicativos a motoristas, não vai convencer, isso não se discute.- Se o governo não ceder em questões essenciais, como revisão dos parâmetros, nada avança porque assalto legal é pior do que o clandestino porque este, ao menos, assume riscos.- Deslanchou a campanha de Lerner: a distribuição dos recursos do Paraná 12 meses, com a lembrança indispensável de que não saíram antes por causa dos senadores inimigos do Paraná. Neste ano serão 272 milhões de reais a fundo perdido, em favor de pequenos produtores. O cenário de Cascavel foi ideal para isso porque Lerner não estava muito bem nas pesquisas na região. Agora deve melhorar.- Amanhã, na Casa do Jornalista, pela manhã e tarde, uma tendência radical da CUT, que prega o socialismo, embora seja difícil demonstrar como fazê-lo, avalia a cidade, o Brasil e o mundo dentro da perspectiva da Unidade e Luta. É um esforço para tocar no imobilismo sindical da luta para preservar emprego, já que nem salário dá para reivindicar.-
FOLCLORE Como no Dilúvio - diz o anarquista Elísio Marques -, na destruição de Pompéia, no Incêndio de Roma por Nero, no Descobrimento do Brasil, na Comuna de Paris, na deflagração da Primeira Grande Guerra e na perda do Campeonato Mundial de 1950 no Maracanã, o governo e a oposição culparam os anarquistas pela intifada brasiliense desta semana.
Mais uma: com eles os punks, anarquistas redundantes e que em Curitiba só fazem coisas inocentes como protestar na frente do McDonalds.
CROMO Qual a oposição entre a rosa e o poliedro se ela se mostra também multifacetada e enriquecida com o orvalho madrugueiro?
AFORÍSTICO A verdade do político é a especulação, o boato o seu auto-de-fé. Sexta-feira derrubaram o secretário de Segurança e o Neco Garcia; a trincheira só poderia estar na Assembléia Legislativa.





