As visões míopes da industrialização de Londrina
Todas as vezes que se divulgam algum índice que envolva a relação Londrinadesenvolvimentoindústria vem o tema por que Londrina não se desenvolve industrialmente. E, aí, começa-se a caça às bruxas, procuram-se os culpados, passa-se administração municipal, uma após outra, passam-se eleições, em todos os níveis, uma após a outra e os níveis de desenvolvimento industrial de Londrina não somente não aumentam como se reduzem
Já fomos sabotados por políticos, pelo Ministério Público, por ONGs, por omissões de administrações municipais e a realidade é que Londrina deixou de
obter infraestrutura para industrializar-se: uma extensão do gás da Bolívia, um trecho da linha férrea Norte-Sul, algumas megaindústrias que a princípio a intenção era Londrina e foram parar na região de Curitiba e outras sabotagens que se for numerar não caberiam nesse artigo.
Londrina tem centenas de qualidades para ser industrializada, mas se depara com duas questões nevrálgicas como: a miopia com que se enxerga o seu desenvolvimento. Londrina se tornou uma espécie de capital do Norte do Paraná e tem que ser administrada como tal, com a mesma liderança, trazer para junto de si as comarcas vizinhas que compõem a região metropolitana, traçar um desenvolvimento regional, pensar como se fosse um estado; outra deficiência profunda de Londrina, é que precisamos trazer o litoral para o Norte do Paraná. É muita ousadia o que estou dizendo? Pois é, se faz premente a criação de um aeroporto internacional de cargas na região da comarca de Londrina que atenda não somente à região metropolitana, mas também o restante do interior do Estado (por que não, desse aeroporto aterrissariam e decolariam também os maiores aviões fabricados do mundo), esse seria o litoral do Norte e mudaria o destino de Londrina e região. Se Campinas (SP) tem, por que Londrina não pode ter? Com este aeroporto de carga internacional o Norte do Paraná estaria diretamente interligado aos maiores aeroportos de carga do mundo: Ásia, Europa, África, EUA, etc.
No ano passado, estive em contato em Havana (Cuba) com a diretora de uma das grandes construtoras chinesas, senão a maior, a China Machinery Industry Construction Group Inc. Se interessou por esse projeto, fui à prefeitura à procura de um projeto do aeroporto de cargas que tanto se fala em Londrina, mas não existe sequer um desenho. Nunca nenhum prefeito se dignou fazer pelo menos um rascunho do que seria esse projeto. Pedi desculpas a essa diretora e, constrangido, fiquei por isso mesmo.
É necessário que se diga: para mudar o destino de Londrina e industrializá-la, não precisa trazer indústrias, é preciso investir em infraestrutura, planejar o futuro e as indústrias virão por si só. Esse aeroporto de cargas é um projeto tão audaz que há formas de se fazer, independentemente, de recursos públicos somente, pois se tornaria uma empresa muito mais rentável e valorizada que a nossa Sercomtel, com ações livres de impostos de renda, pois é empresa com objeto de infraestrutura, captando recursos disponíveis em vários setores internos e externos, internacionais e nacionais, públicos e privados, etc.
Portanto, a complexidade da industrialização de Londrina está na miopia (no bom sentido) dos que fizeram e não na complexidade que nela existe, pois o que é complexo para o leigo é simples para os experts.
A industrialização de Londrina, na realidade, está à espera de um movimento audacioso, seja de quem vai assumir, seja dos líderes da sociedade, seja da própria sociedade como um todo, não tendo mais lugar para amadores e nem de ajustes domésticos e mais simples loteamentos industriais. Londrina precisa muito mais do que isso para o seu futuro.
BRUNO PEDALINO é advogado empresarial em Londrina
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