As visitas do Papa - Nelson Araújo de Oliveira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Nelson Araújo de Oliveira 
Parece que o Papa anda remando com dificuldades em altos mares. A vantagem casual das baixas marés não lhes estão proporcionando um melhor direcionamento. Sem a bússola e não se interessando por um bom remo o Sumo Sacerdote tem tomado rumos adversos: passando pela Ilha de Cuba, manifestou-se contra o socialismo; no México fez menções aos pobres e indígenas invocando a imagem de Guadalupe e nos Estados Unidos da América, pregou contra o capitalismo.
Segundo o Pontífice, sua missão e a da Igreja Católica é combater os efeitos maléficos da globalização da economia. Essa preocupação demonstra louvores e sentimentos humanitários. Todavia, a igreja não tem forças suficientes para mudar o sistema, podendo apenas conseguir algumas influências, já que não lhe cabe legislar sobre a economia universal.
A missão do Papa, da Igreja ou de qualquer instituição religiosa, deveria ser, simplesmente, pregar o Evangelho. Exatamente esse Evangelho ora relegado a segundo plano. Os homens a quem foi confiada a fé estão mais preocupados com coisas terrenas, envolvendo-se na política, na economia e no sistema de governo. Evidentemente, os problemas sociais devem interessar a todos, sendo que alguns religiosos até merecem admiração pelos esforços prestados à comunidade. Contudo, num sistema organizado, as nações são geridas pelas suas próprias leis, onde os problemas materiais são tarefas exclusivamente do Estado e não da Igreja. (Mat. 6:25-34).
De outro lado, onde estão os evangelhos mais autênticos, mais divinos e restauradores deixados por João? (João 3:3-12). Onde está aquele evangelho santo, puro e explícito até com certa com exigência quanto a santificação, escrito por Pedro? (1 Ped, 1:15-16). Não se pode esquecer jamais o Evangelho do novo nascimento, que suscita mudanças de comportamentos e faz o cristão renascer a cada novo dia, envolvendo-se numa harmoniosa interação com Deus.
Ainda dá para se ouvir um eco a zunir no espaço, pouco inteligível mas compreensível perguntando: onde está o Evangelho puro dos cristãos primitivos? Nesta audiência de pureza espelhada em grande parte do cristianismo, faz-nos compreender que a crise é mais acentuada na fé cristã do que na economia. Os homens tem fracassado, sempre esquecendo os princípios sagrados da santificação. Pior que isso é sonegar a verdade e iludir o povo dizendo: Está tudo bem, não se desespere, não de precipite. E assim, se deixa dissimular. Dessa maneira, desafinado com São Pedro (Atos, 3:6), o Papa deixa de conquistar outras multidões carentes da fé e religião.
É possível que existam hoje mais ou menos 1 bilhão de cristãos, que nunca foram doutrinados como pede a Bíblia Sagrada, a santificação do corpo. Um comportamento que Cristo pede a seus fiéis e foi relatado por Pedro no capítulo 1 de seu primeiro livro. É provável que todos conheçam essa necessidade; todavia, não a buscam. Mesmo estando convencidos que este é o único caminho, desviam-se dele. Embora o Espírito Santo insista em mostrar a desejada santificação (Heb. 12:14), os homens se afastam. Com raras exceções, eles preferem o envolvimento em assuntos terrenos em prejuízo ao Santo Evangelho, a exemplo do Papa que demonstra preocupações com a economia ao invés de pedir ao povo uma vida de pureza e de poder como fazia Pedro na Igreja primitiva (Atos, 5:15).
No dia em que o Papa se despediu das terras americanas, uma triste notícia deu volta ao mundo. Para o Brasil foi trazida ao público informando que nos Estados Unidos, a Igreja está pagando as pessoas para participarem das atividades religiosas. É o dólar vencendo a Bíblia em meio a um cristianismo desfigurado.
Não se pode conduzir assim um povo ao terceiro milênio. É indispensável que todos saibam os princípios básicos da salvação, aqueles escritos por Paulo nos primeiros versículos do capítulo 12 da Carta aos Romanos, cujo texto é um modelo de vida racional e santa capacitando o cristão a representar Cristo na terra. Desse modo, seguimos serenamente a passos seguros rumo a dias mais ditosos.
- NELSON ARAÚJO OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina


