As vias corrompidas do futebol
O fato novo, na história da corrupção na arbitragem do futebol paranaense, é que, por estes dias, o caso ganhou mais divulgação nos veículos de comunicação. Apenas a erupção mais intensa dessa antiga purulência é que é a novidade, porque a denominada máfia existente é tão antiga quanto os tempos da bola com câmara de bico. Árbitros corruptos existem e sempre existiram, e não apenas no futebol paranaense, mas é certo que o Estado do Paraná tem sido franco campeão na modalidade, por conta de célebres personagens sempre situados no centro dos acontecimentos. E se a corrupção tem mão dupla, os corruptos não podem existir sem os corruptores. Perdem com isso, no mais dos casos, os times menores. Assim tem sido, e por tais razões somadas a algumas outras o futebol não vinga fora da Capital. E não apenas por culpa dos árbitros corrompidos mas de todo um sistema de corrupção, que obviamente envolve também dirigentes de clubes. Se a luta para acabar com isso vem de longa data, é porque não tem sido fácil vencer as poderosas entidades do mal, que encontram, nos comandos do futebol como na política, o campo propício para um confortável habitat, e ali vicejam. O momento ora vivido no Brasil é oportuno para trazer podridões à tona, e quem sabe algum expurgo salutar ocorra da turbulência dessa torrente. Sexta-feira, falando a duas emissoras de rádio, o árbitro Evandro Roman foi contudente em sua denúncia, afirmando que há uns dez colegas sabidamente corruptos. Óbvio que, se dirigentes de times de futebol forem ouvidos, dirão que nada sabem, porque um árbitro propenso a envolver-se nesses esquemas não age sem uma correspondente contrapartida. O futebol profissional não é uma atividade tão sadia como o espetáculo de um bom jogo demonstra. Porque, por trás de razões como as apontadas, se antepõem grandes interesses, envolvendo dinheiro e prestígio e alcançando dimensões que extrapolam os limites do gramado. Na atualidade, e nunca como antes, o futebol move os povos de todo o mundo e parece haver-se convertido em questão até de soberania nacional. Mas não por isso a corrupção, nesse meio, deve ser tolerada. A luta pela instauração da moralidade deve continuar, no futebol como na política. No caso do Paraná, com toda certeza a Federação Paranaense de Futebol não é um santuário, porque não é de hoje que tanta coisa se fala. Se o futebol paranaense deseja sobreviver, não pode circunscrever-se aos interesses de um círculo restrito de apenas três times, que à parte de serem melhor estruturados venham a sufocar os demais sem permitir-lhes fôlego para sobrevivência.





