As viagens de pouco proveito ao exterior
Viajar para fora do País é necessário, tanto para os empresários e estudiosos de todas as áreas como para o povo no geral e para os governantes. Porque uma visita a pontos desconhecidos do mundo vale por mil horas de escola e oferece a oportunidade de comparação com o país de origem e assim exaltar as virtudes próprias e corrigir as coisas inadequadas. Os homens públicos, sobretudo, devem viajar para fora e observar exemplos de boas soluções já adotadas e aquilo que podem fazer para seu país, seu Estado e seu município. Mas muitos deles voltam vangloriando-se de haver encontrado defeitos, preferindo fazer de conta que não viram as excelências que poderiam copiar.
Este Jornal publicou, no final da semana passada, um levantamento feito por uma agência de São Paulo mostrando que os governadores dos Estados brasileiros passam fora do Brasil pelo menos um ano de seus mandatos. Se essas viagens têm caráter oficial e atendem a anunciados intercâmbios comerciais, culturais ou políticos, quem viaja com governantes sabe que boa parte do tempo eles empregam em turismo comum. Há casos de parlamentares que nem comparecem a todos os eventos do programa da viagem. Tudo isto pago com dinheiro do povo, ressalvadas as situações em que há convite e todos os gastos são pagos pelos anfitriões ou outros patrocinadores. No geral, há pouco proveito de interesse público nessas viagens.
No caso do Paraná, o governador Jaime Lerner fazia uma verdadeira ponte-aérea entre Curitiba e Nova York. (Foi ele que não quis ver o tipo genuíno de pedágio dos Estados Unidos e implantou este modelo esdrúxulo que vigora no Paraná). No ano passado 21 dos 27 governadores viajaram para o exterior. O pernambucano Eduardo Campos e o catarinense Luiz Henrique foram os campeões, seguidos do carioca Sérgio Cabral, do mato-grossense Blairo Maggi e do paranaense Roberto Requião. O nosso governante já começa 2008 viajando para Cuba. O fato mais destacado foi a ida de 12 governadores, em companhia do presidente Luiz Inácio, ao evento da Suiça para anunciar a Copa do Mundo no Brasil em 2014. Um flagrante esbanjamento de dinheiro, que o Ministério Público, o Judiciário e o Legislativo não questionam.
A ironia popular diz que, às vezes, é melhor um governante ausente do que presente, porque assim faz menos estragos. Se isto tem muito de verdade, o desejável não é nem uma coisa e nem outra, mas que eles operem diligentemente quando em seus postos e tirem proveito útil quando viajam. Porque encontros com governantes de fora, empresários e outras personalidades, podem resultar em bons negócios e convênios e para proveitosa aprendizagem.





