A implantação do policiamento municipal de trânsito, em Londrina, não melhorou o sistema viário mas, com certeza, o volume de multas cresceu, sem saber-se se isso diminuiu o número de infrações e de acidentes. Porque não se conhece estatísticas. Conforme reportagem deste Jornal publicada ontem, a média é de 2 mil multas por mês aplicadas pelos agentes municipais, não se contando aí as da Polícia Militar e dos videovigias. Se há multas, há infratores. Mas a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização mantém antigas falhas e não as corrige. No boleto anunciando a multa está escrito que o infrator não respeitou a sinalização, mas há locais onde ela não existe, então isto deve anular a punição. Uma coisa causa estranheza: não se ouve mais o trilar de apito dos guardas, que deveria ser acionado quando (em muitos casos) é possível impedir a infração. Não o fazendo, o guarda permite que ela se consume, e assim colabora para a possibilidade de acidentes. Recentemente um representante da CMTU declarou, em reportagem da Folha, que não dispunha de recursos suficientes para as melhorias do tráfego, e que era preciso contar com a coleta representada pelas punições. É raro assistir, em Londrina, a guardas municipais orientando o tráfego uma forma de evitar acidentes e multas mas eles estão sempre em postura característica de quem está ali para punir. A ausência de certas placas e de sinalização horizontal, alertando sobre manobras irregulares, permite que o motorista as cometa, sem o saber. E aí ele é tangido com pesada multa em dinheiro e com perda de pontos em sua carteira de habilitação. Por mais que a CMTU afirme o contrário, a opinião pública entende que o procedimento unilateral dos guardas (pouco presentes em operações de orientação do tráfego) é típico de uma cultura de multas. Já se tornou cansativo falar da falta de sincronia dos semáforos, a não ser em curtíssimos trechos, isto em tempo de combustível caro e que não permite motores queimando-o inutilmente diante de sinaleiros que deveriam estar sincronizados, ou mesmo retirados, ou dotados de sinal apenas intermitente. Para fazer isso não será preciso muito dinheiro. Não é da prioridade de punidores que o sistema de trânsito precisa, mas de fiscalizadores e orientadores do fluxo e de reformas estruturais, o que pode ser feito apenas com mais boa vontade. O sistema, em Londrina, tem ficado mais problemático, pelo aumento diário de veículos em circulação e sem a correspondente contrapartida de parte dos responsáveis pelo setor de tráfego. Com um pouco de ação do poder público (não punidora, mas auxiliadora dos motoristas) haveria menos infrações e menos acidentes, menos gasto de combustível, melhor fluidez do tráfego, menos neurose dos condutores e mais paz no trânsito.

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